A Sociedade Portuguesa de Matemática está contra o fim dos exames do quarto ano de escolaridade, proposto pelos partidos de esquerda, e enviou uma carta aos grupos parlamentares a pedir que ponderem sobre a matéria.

Os partidos de esquerda levam na sexta-feira ao Parlamento um projeto de lei que propõe a eliminação dos exames nacionais do 1.º ciclo do ensino básico, algo com que pais e professores ouvidos pela lusa concordam, embora divergindo na forma de acabar com as provas, instituídas pela tutela de Nuno Crato.

De acordo com a Lusa, para a Sociedade, segundo a carta enviada aos parlamentares, a prova é “um instrumento importante para aferição dos conhecimentos dos alunos” e a análise dos resultados permite identificar fragilidades.

“É indispensável que continuem a existir instrumentos que permitam a aferição externa dos conhecimentos e capacidades, bem como a obtenção de dados fidedignos e uniformes a nível nacional que possam suportar a adoção de medidas informadas de apoio a alunos e professores neste nível de ensino e nos seguintes”, defende a Sociedade Portuguesa de Matemática na carta.

Nela fala-se da “preocupação” que é o projeto de lei nem sequer contemplar a substituição da prova, porque a eliminação pura e simples “em nada contribuirá para a diminuição dos níveis de insucesso e abandono, nem para o aumento das qualificações”.

Na carta a Sociedade insiste que as provas são um elemento fundamental e que se por elas ocorrer alguma distorção no trabalho letivo é essa distorção que deve ser corrigida.

Até quarta-feira tinham dado entrada nos serviços da Assembleia dois projetos de lei, do PCP e do Bloco de Esquerda, com vista a eliminar as provas finais do 4.º ano, na sequência das posições sempre defendidas por estes partidos.

Os exames do 4.º e do 6.º ano foram criados por Nuno Crato, que entendeu ser benéfica a existência de provas no final de cada ciclo de ensino. À semelhança dos exames que já existiam para o 3.º Ciclo e para o ensino secundário, estas provas têm uma ponderação de 30 por cento na nota final do aluno.