Todos os anos se repete o mesmo ritual. Os problemas com o arranque do ano letivo puxam a educação para o topo dos destaques mediáticos, normalmente com foco em grandes problemas (escolas sem condições, falta de professores e pessoal auxiliar, atrasos, etc.) e muita contestação.

Mas, em 2016, apesar do arranque do ano escolar ter obtido 4,4% dos destaques da semana na comunicação social portuguesa, só uma minoria era relativa a problemas e dificuldades estruturais. Olhando para as notícias, temos uma maioria de professores, alunos e pais satisfeitos com o regresso às aulas.

E nem o movimento amarelo que varreu o país quando o Governo decidiu rever os contratos de associação dos colégios privados, na primavera passada, voltou a organizar grandes marchas ou a ameaçar com o caos geral no ensino.
Em abril, a Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) anunciava de forma matemática que 57% dos 86 colégios com contratos de associação iriam fechar portas antes do ano letivo começar, se perdessem os financiamentos para abrir novas turmas de 7.º e 10.º ano.

As contas falharam redondamente e afinal só dois fecharam (mostrando que viviam apenas à custa do financiamento público): o Instituto São Tiago, em Proença-a-Nova, e a Cooperativa Ancorensis, de Caminha. Claro que houve dispensa de pessoal (compensada, pelo menos parcialmente, por contratações na rede pública), e vários colégios afetados oferecem as mensalidades aos alunos em início de ciclo, assumindo de forma enviesada que podem viver sem o subsídio estatal.

Não deixa de ser surpreendente a tranquilidade mediática que rodeou o regresso às aulas, perante a onda amarela que invadiu os media há uns meses, apregoando o fim do sistema de ensino caso o Estado não suportasse colégios privados, pagando turmas desnecessárias. Mas é salutar que, pelo menos em 2016, todos os envolvidos no processo escolar podem dedicar-se ao que realmente interessa: formar as crianças e jovens portugueses.
 

Ficha técnica:
O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.
Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.