
O Congresso de Deputados espanhol aprovou esta quinta-feira, com a maioria do PP e apenas o apoio de um deputado do UPN, o maior corte de despesa da democracia, um plano de ajuste de 65 mil milhões de euros.
As medidas de ajuste, que foram anunciadas na semana passada, contaram com 181 votos a favor e 131 contra, depois de um debate onde o presidente do Governo, Mariano Rajoy, esteve ausente e onde o Executivo e a oposição trocaram críticas, escreve a Lusa.
Nesse plano de ajuste estão incluídas, entre outras medidas, o aumento do IVA, o corte do subsídio de natal aos funcionários públicos e uma redução no subsídio de desemprego a partir do sexto mês.
Durante o debate, Cristóbal Montoro, ministro da Fazenda, que disse que sem as medidas «não haverá dinheiro para pagar aos funcionários» defendeu o pacote de ajuste, afirmando que é necessário «renunciar» aos serviços públicos que não são financiáveis.
«Temos que prescindir do que podemos prescindir e não ao contrário», disse Montoro.
«Convém-nos renunciar ao que não é financiável se queremos conseguir fatores de êxito e explicar, sem subterfúgios, que o que não se pode pagar deve ser retirado, para não lastrar as possibilidades de bem-estar dos cidadãos», disse Montoro.
O líder do PSOE, Alfredo Pérez Rubalcaba, atacou duramente as medidas do Governo, que considerou serem «uma emenda de Rajoy a Rajoy», numa referência às várias promessas deixadas, enquanto líder da oposição e durante a campanha, pelo atual presidente do Governo.
Para o líder socialista, o «maior corte» da história de Espanha é uma emenda ao próprio Orçamento do Estado aprovado há apenas um mês pelo Governo.
As medidas são «más» para a economia e representam a «certificação legal de seis meses de erros de política económica» que serão pagos pelos desempregados, funcionários e trabalhadores independentes.
«Nunca tantos pagaram pelos erros de tão poucos», disse Rubalcaba.