
O presidente do conselho de administração do BPN após a nacionalização, Franciso Bandeira, é ouvido esta sexta-feira pela segunda vez na comissão parlamentar de inquérito à nacionalização e privatização do banco.
O responsável pelo Banco Português de Negócios (BPN) público e antigo vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) já foi ouvido pelos deputados desta comissão a 12 de junho, recorda a Lusa.
Então, Francisco Bandeira afirmou que apenas foi notificado do processo da CMVM contra si a seis meses do final do mandato, salientando que contestou a acusação e que o caso está em tribunal.
A posição de Francisco Bandeira foi transmitida depois de o deputado Honório Novo, do PCP, ter requerido formalmente o esclarecimento no sentido de saber como foi possível o Banco de Portugal nomear Francisco Bandeira presidente do BPN em 2008, numa altura em que tinha contra si um processo de contraordenação por negligência e dolo emitido pela Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM).
Na mesma audição, Francisco Bandeira admitiu ainda que é «muito mais agradável falar da CGD do que do BPN».
«Costumo dizer que a CGD deu-me muitos cabelos brancos, mas o BPN tirou-mos mesmo. Estou calvo exatamente por isso», afirmou, referindo que «não havia ninguém que quisesse estar perto do banco».
O ex-presidente do BPN, que disse compreender a decisão do Governo de vender a instituição bancária ao BIC por 40 milhões de euros, travou ainda uma tensa discussão com o CDS sobre uma eventual «canibalização» dos planos poupança e reforma (PPR) da Real Vida (do BPN) pela Fidelidade, seguradora da Caixa Geral de Depósitos.
A atual comissão de inquérito ao BPN foi decidida em meados de março, por consenso entre as iniciativas do PS, com a concordância do PCP, do Bloco de Esquerda, dos Verdes (PEV), e da maioria PSD/CDS-PP, num processo que obrigou à intervenção da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves. Esta é já a segunda comissão parlamentar dedicada ao caso BPN, depois da realizada em 2009.
O BPN foi nacionalizado em novembro de 2008, por proposta do segundo Governo de José Sócrates, após serem conhecidas diversas irregularidades financeiras. Ao longo dos últimos quatro anos, além do impacto nas contas nacionais, o BPN tornou-se um processo político e judicial. Em março deste ano, foi concluída a sua venda ao Banco BIC por 40 milhões de euros.
A audição de Francisco Bandeira tem início marcado para as 10:00.