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CP perdeu seis milhões de passageiros este ano

Empresa aponta o dedo aos «surtos de greves constantes». Utentes culpam os preços

Por: Redacção / CP    |   2012-07-28 10:20

ATUALIZADA ÀS 13:51

A CP - Comboios de Portugal perdeu mais de seis milhões de passageiros nos primeiros seis meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2011, segundo dados fornecidos pela empresa à Lusa.

Entre janeiro e junho, viajaram nos comboios da CP - Urbanos, Regionais e Longo Curso - 57,9 milhões de passageiros, uma quebra de 10 por cento em relação aos 64,5 milhões registados em igual período de 2011.

A maior redução mensal foi registada em junho, mês em que foi verificada uma descida de 16 por cento no número de passageiros transportados.

Já janeiro foi o mês em que foi registada uma menor redução: 1 por cento.

A partir de fevereiro, data em que entrou em vigor o aumento do preço dos transportes, as reduções acentuaram-se e oscilaram entre os sete (abril) e os 16 por cento (junho).

Fonte oficial da CP explicou à Lusa que as flutuações na procura de passageiros são sempre influenciadas por diversos fatores e que, no caso específico da transportadora ferroviária, há que considerar o facto de a empresa ter «vindo a ser alvo de surtos de greves constantes».

A Associação de Utentes dos Comboios de Portugal lamentou que os aumentos dos preços tenham tornado o comboio uma opção de transporte «pouco atrativa», referindo que a CP deve apostar numa estratégia de angariação de clientes habituais.

«Era previsível este desempenho», disse à agência Lusa Nuno Oliveira, da Comissão Diretiva da Associação de Utentes dos Comboios de Portugal.

Para o responsável, é certo que existem fatores estruturais como o desemprego e a crise que fazem diminuir o número de utentes quotidianos, mas os aumentos dos preços, em conjunto com a redução da oferta, «tornam o comboio uma opção pouco atrativa» atualmente.

«As perdas de receita causadas pela saída de utentes são muito maiores do que as receitas potenciais geradas pelos aumentos», sublinhou Nuno Oliveira, referindo que a CP deve, à semelhança dos parceiros europeus, apostar numa estratégia de angariação de clientes.

«Temos que continuar a pressionar para que os preços reflitam a realidade das pessoas porque só assim é que a CP irá conseguir arranjar utentes e um melhor equilíbrio financeiro», disse.

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