
O Governo deu «um tiro no acordo» para o crescimento e para o emprego, ao anunciar o aumento dos descontos para a Segurança Social dos trabalhadores, a suspensão dos subsídios e agora o corte das pensões. A UGT diz que isso é «inaceitável», mas, mesmo assim, não denuncia o acordo de concertação.
João Proença apresentou, em conferência de imprensa, um «claro repúdio perante esta medida. Não é aceitável a diminuição de salários e pensões. Provoca aumento da pobreza e do desemprego. O sacrifício que nem sequer reverte para Estado e para o défice. Reverte para o bolso dos empresários».
A UGT promete continuar a bater-se «pelo diálogo social tripartido, mas é evidente que compromisso tripartido está comprometido seriamente. Não o denunciamos, não o denunciamos», mas Proença promete lutar: «Vamos fazer tudo, durante os próximos meses, para nos opormos a tal medida».
A UGT vai pedir uma reunião com o primeiro-ministro e outra com o Presidente da República, esta em conjunto com as confederações patronais que também subscreveram o acordo tripartido.
Depois, «serão realizados plenários conjuntos nas 20 uniões da UGT no dia 26 de setembro para analisar de forma mais pormenorizada as formas de luta».
A ação da central sindical passará pelo «protesto», pela «greve», admitiu. O calendários será feito tendo em conta difícil situação com que portugueses estão confrontados e com calendário de discussão destas medidas na Assembleia da República».
Proença sublinhou que a UGT privilegia «a unidade na ação e respeito pelas organizações sindicais envolvidas» nas ações de luta.
Proença não se arrepende de ter assinado acordo
O sindicalista não se arrepende, contudo, de ter assinado o acordo. «Não, pelo contrário. Para mim acordo é extremamente importante para a UGT e para o país na defesa dos trabalhadores portugueses», que enfrentaram «desafios com alguns sucessos». O Governo é que «falhou nas receitas oe e nas medidas que anunciou, não tem nada a ver com acordo».
O que é certo é que a nova austeridade anunciada «não tem justificação. Ainda mais quando vimos ministro das Finanças anunciar para o ano que vem que o objetivo do défice já não é 3%. Então porquê estas medidas, porquê este autêntico roubo aos portugueses?», questionou.
O Governo «apanhou todos os portugueses de surpresa. Isto é negativo, inaceitável, intolerável. Uma fatura pesadíssima a pagar pelos trabalhadores e pensionistas neste país».
«Queremos lembrar que menos de 20% dos trabalhadores portugueses estão ligados ao setor exportador». O Governo abre a porta a um «corte brutal em termos de confiança e em termos de rendimentos. O consumo interno vai diminuir, as empresas vão produzir menos, porque têm menos quem compre. Vai haver aumento do desemprego nos setores virados para o mercado interno».
Só o setor da grande distribuição será «ultrabeneficiado por estas medidas», mas como também vai ser afetado pela procura, vai produzir menos e precisar de menos trabalhadores, assinalou.
Por isso, «é claro que esta medida não vai provocar aumento do emprego, vai provocar aumento acentuado do desemprego».
E, depois, é uma medida que «choca claramente com as decisões do Tribunal Constitucional, não só pelo principio da equidade, mas também pela clara desproporcionalidade dos sacrificios pedidos». Choca, ainda, segundo João Proença, com o apelo feito por Cavaco Silva na semana passada, que disse que a equidade dos sacrifícios deve ser melhorada.