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Bankia confirma resgate recorde de 19 mil milhões

Banco precisa de mais dinheiro do que as estimativas feitas para todo o setor em Espanha

Por: Redacção    |   2012-05-25 19:43

É o resgate mais caro da história do setor bancário espanhol. O grupo BFA-Bankia, nacionalizado este mês, pediu esta sexta-feira ao Estado uma ajuda pública de 19 mil milhões de euros para o saneamento das suas contas.

O montante foi aprovado na reunião do conselho de administração da instituição e soma-se aos 4.465 milhões de euros já injetados no Bankia, que viu hoje o seu rating atirado para o lixo pela Standard & Poor`s, numa descida de três níveis, a par de outros bancos.

Contas feitas, as necessidades de capital estão avalisadas em 23.465 milhões de euros.

O ministro da Economia, Luis de Guindos, tinha dito que a ajuda não seria nunca superior a 15 mil milhões de euros.

E, para além de um absoluto recorde, é mais do que as estimativas das necessidades de capital de toda a banca espanhola.

Para onde é canalizado o dinheiro?

Os fundos serão destinados para cumprir as exigências de provisões para os ativos imobiliários, bem como as necessidades de capitais detetadas pela auditora Deloitte, que se recusou a assinar as contas até que os desequilíbrios fossem corrigidos.

Em comunicado enviado à Comissão Nacional de Mercado de Valores (CNMV), o grupo explica que levará a cabo um «plano de saneamento e recapitalização que o dotará da solvência de acordo com os requisitos regulatórios e com a eventual deterioração do cenário macroeconómico», do qual tem conhecimento o Governo e o Banco de Espanha.

Além dos 19 mil milhões de euros solicitados ao Estado para a BFA, holding do Bankia, a entidade fará um aumento de capital de cerca de 12 mil milhões de euros para a Bankia «com direitos de subscrição preferencial e assegurada na sua totalidade pelo BFA».

«As medidas de recapitalização reforçam a solvência, a liquidez e a solidez do Grupo e permitem que enfrentemos uma nova etapa de desenvolvimento do negócio bancário e avançar na consolidação de um grande marca», disse o presidente do grupo, José Ignacio Goirigolzarri.

Na nota, o grupo explica que em consequência dos novos requisitos de provisões são necessários 8.745 milões de euros, a que se soma necessidades adicionais de 4.000 milhões de euros para a sua carteira imobiliária.

«No total a entidade destinará a cobrir estes créditos e ativos 12.745,2 milhõs de euros. Deste modo o risco total que a Bankia terá com o setor promotor e imobiliário terá uma cobertura de 48,9 por cento».

A este valor somam-se ainda 5.000 milhões de euros para o resto da carteira de créditos, «adequando-a assim a um eventual cenário económico adverso», o que garante uma cobertura total de 12,6% da sua carteira.

No total pedido ao Estado estão ainda 6.700 milhões de euros para ativos fiscais e para a carteira de participadas.

«Depois do saneamento e recapitalização, o rácio de capital principal do grupo BFA estima-se que se situará nos 9,8% (9,6% no caso da Bankia), cumprindo-se assim as exigências impostas pelos reguladores espanhol e europeu».

Espanha pode ver-se obrigada a recorrer ao fundo europeu

Juan José Toribio, professor do IESE, disse, em comentários enviados à Lusa, não ser ainda certo que o Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária (do Estado) tenha capacidade para todo o resgate, sendo possível «que tenha que recorrer ao mecanismo europeu de estabilidade financeira».

Toribio não descarta eventuais resgates adicionais, especialmente a nível de entidades como Catalunya Caixa, Nova Caixa Galicia e Banco de Valencia, que foram alvo de intervenção do Estado. «Se ninguém acorrer ao seu leilão, o Governo pode ter que fazer o mesmo que fez com a Bankia».

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