A agência de notação financeira Fitch considerou esta sexta-feira que um cenário de deflação na zona euro afetaria, em primeiro lugar, os bancos dos países da periferia.

Segundo a agência de rating norte-americana, um cenário de deflação colocaria uma maior pressão sobre os bancos da região, nomeadamente ao «reduzir os lucros e ao enfraquecer o valor dos colaterais, isto é, das garantias».

«A nossa análise dos bancos na zona euro num cenário do tipo da deflação do Japão, mostra que a periferia, com sistemas bancários mais débeis e uma baixa inflação seriam os primeiros a ser afetados», refere a Fitch num relatório.

A agência norte-americana explica ainda que, apesar de o risco de deflação ser cada vez maior, o cenário base com que está a trabalhar para o conjunto da zona euro prevê que um fortalecimento do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e que o aumento da produção, ajudem a superar esta situação.

Para a agência Fitch, os países que estão mais próximos de um cenário de deflação são a Itália, Espanha e Portugal.

A queda dos preços, a diminuição dos salários e do rendimento reduz a procura de crédito e torna difícil cumprir o pagamento do serviço da dívida.

Além disso, a descida do valor dos ativos também acaba por dificultar a recuperação dos empréstimos bancários e que apresentam problemas.

No entanto, a Ficht acredita que haverá uma resposta dos governos e das instituições para esta situação, o que terá como consequência aliviar os problemas dos bancos.

Em relação ao impacto sobre cada um dos bancos, a Fitch realça que este dependerá, sobretudo, da qualidade do crédito de cada instituição financeira.

«A natureza e a extensão do impacto nos bancos, refletiria a gravidade da deflação, a sua duração e suas variações por região», salienta.

A Fitch refere ainda que os sistemas bancários da Irlanda, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Portugal e da Alemanha, têm atualmente uma fraca «rentabilidade», embora com significativas variações no caso de cada um dos países.