O membro francês do comité executivo do Banco Central Europeu (BCE), Benoit Coeuré, afirmou esta sexta-feira que atualmente não é necessário comprar dívida soberana em grande escala para combater a baixa inflação na zona euro.

«Não há nenhum desacordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Dissemos claramente que no caso de que a inflação se mantivesse demasiado baixa durante demasiado tempo recorreríamos a instrumentos adicionais, incluindo não convencionais», indicou Coeuré.

Coeuré referia-se à recomendação de quinta-feira do FMI, quando chegava à reunião dos ministros de Economia e Finanças da União Europeia (UE).

«Mas não estamos nesta situação hoje», sublinhou o responsável francês do BCE, insistindo que «não há de maneira nenhuma um desacordo com o FMI».

A compra em massa de dívida soberana «é possível, está na caixa de ferramentas, mas não é necessária atualmente», afirmou Coeuré, que defendeu que a instituição financeira com sede em Washington «também não estaria de acordo com isto».

A 05 de junho, o BCE cortou a taxa de juro diretora em 0,1 pontos percentuais, para o novo mínimo histórico de 0,15%, e anunciou a realização de duas injeções de liquidez de longo prazo (quatro anos) em setembro e dezembro deste ano, no valor de 400 mil milhões de euros, condicionadas a serem emprestadas a empresas e famílias.

Para Coeuré as medidas anunciadas a 5 de junho pretendem «acelerar o regresso da inflação para cerca de 2%».

Com o objetivo de fomentar o crédito, o BCE começou pela primeira vez a penalizar a 11 de junho os bancos que depositam liquidez no banco central da zona euro.

Na quinta-feira, o FMI instou no relatório anual sobre a zona euro o BCE a adotar um «programa de compra de ativos em grande escala», sobretudo dívida soberana, para estimular a economia, seguindo os passos da Reserva federal norte-americana (Fed).

Se a inflação permanecer em níveis «persistentemente baixos, o BCE deveria considerar um programa de compra de ativos em grande escala, sobretudo de ativos soberanos de acordo com a repartição de cada país no BCE», uma medida que foi aplicada nos Estados Unidos da América, pela Reserva Federal (Fed).

A Fed lançou um amplo programa de compra de ativos, injetando na economia mensalmente 85 mil milhões de euros (cerca de 63 mil milhões de euros), mas desde o início deste ano, começou a reduzir gradualmente este programa, ficando em cerca de 35 mil milhões de dólares (cerca de 26 mil milhões de euros) mensais a partir de julho.

O Fundo considera que a inflação está «preocupantemente baixa, incluindo nos países core», o que penaliza a procura e o crescimento e dificulta o ajustamento que tem de ocorrer para o crescimento sustentável ter lugar.