O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, assegurou esta sexta-feira em Frankfurt que os bancos da zona euro já estão a reduzir as taxas de juro e a aumentar a concessão de crédito.

Draghi, que intervinha em Frankfurt no European Banking Congress, disse que «já há evidência de que em expetativa das medidas (que o BCE vai aplicar) os bancos estão a baixar as taxas de juro e a aumentar os volumes dos empréstimos».

O presidente do BCE adiantou que o crédito começou a crescer, como sugerem os números da última consulta aos bancos da zona euro, que mostrou que estas instituições reduziram os padrões de crédito para as empresas.

«A situação económica da zona euro euro continua a ser difícil e a confiança nas perspetivas económicas gerais é frágil e facilmente perturbável, o que se repercute num baixo investimento», afirmou Draghi, citado pela Lusa.

Neste contexto, a situação da inflação da zona euro tornou-se mais desafiadora, adiantou o presidente do BCE, realçando os riscos de que um período demasiado prolongado de baixa inflação se transmita às expetativas de inflação a longo prazo.

Draghi reiterou os prognósticos do BCE de que o balanço deste aumente para o nível que tinha no início de 2012, quando era um bilião de euros superior ao atual.

O BCE já começou a comprar dívida privada e em setembro emprestou aos bancos da zona euro dinheiro a quatro anos a uma taxa de juro fixa de 0,15% e vai voltar a fazê-lo em dezembro.

O balanço do BCE é atualmente de 2.000 biliões de euros e para o aumentar até aquele nível muitos especialistas consideram que será necessário que o BCE adquira dívida soberana porque o volume do mercado desta dívida privada não é suficientemente elevado.

«A compra conjunta de obrigações com garantia e obrigações titularizadas vão permitir-nos conduzir intervenções numa escala que conseguirá os efeitos pretendidos em termos de reequilíbrio de carteiras», defendeu Draghi.

«Se a nossa política monetária não for suficientemente efetiva na trajetória atual ou se se materializarem mais riscos para as perspetivas da inflação, aumentaremos a pressão e ampliaremos mais os canais através dos que intervimos, modificando adequadamente o tamanho, ritmo e composição das nossas compras», assegurou ainda Draghi.

O presidente do BCE concluiu com uma garantia: «Faremos o que devemos para aumentar a inflação e as expetativas de inflação o mais rapidamente possível, como requer o nosso mandato para a estabilidade de preços».