Zeinal Bava garante que a exposição da Portugal Telecom às empresas do Grupo Espírito Santo estava acautelada pela «parceria estratégica» que tinha com o BES.
 
Segundo o ex-presidente da PT, o BES e o GES eram vistos como «uma entidade única», mas a «exposição final» seria «sempre ao banco», que «nunca ninguém imaginaria que ia falir».

Como o BES era considerado «bastante sólido», e havia um «histórico de cumprimento», a PT não tinha «preocupações» com a sua exposição. 
 

«Sempre houve cumprimento do GES, sempre pagaram».


No entanto, admitiu que «chegou a haver cartas de conforto» em relação às aplicações no GES, mesmo sublinhando que não se tratava de uma «garantia».

Bava reforçou que só pode falar até 4 de junho de 2013, quando se demitiu da PT. Nessa altura, a exposição da Portugal Telecom à ESI era de «20 a 30%».

A deputada do BE Mariana Mortágua quis então saber se Zeinal Bava tem «provas» de que o banco acautelaria a exposição da PT à ESI. O ex-responsável da PT admitiu que não as tem, mas que tinha o «conforto necessário» da «parceria estratégia» e dos «administradores comuns» entre as duas empresas.

A bloquista também quis saber se foi Ricardo Salgado a pedir o aumento da exposição da PT ao GES, mas Zeinal Bava recusou responder concretamente.

«Não se trata de quem disse ou não disse. A equipa financeira procurava um equilíbrio. Sempre tivemos uma relação de cumprimento, nunca sentimos qualquer tipo de dificuldade». 


Mais tarde, questionado já pelo deputado do PSD Duarte Marques, Bava assegurou que «não foram muitas» as vezes que falou com Salgado sobre as aplicações da PT no GES. «É normal e natural as empresas falarem com os seus acionistas», sublinhou, recusando que fosse o BES a decidir: «As decisões eram tomadas pela PT SGPS».

O ex-presidente da PT insistiu que «a parceria estratégica era a base da relação com o BES ou a CGD» e que foi esse «instrumento que guiou o relacionamento» entre as duas empresas, porque «havia reciprocidade» e as empresas estavam em «situação de igualdade».

«Era normal que as equipas financeiras privilegiassem os parceiros». 


«Não tive um único reparo» dos auditores

Zeinal Bava foi insistentemente questionado pelos deputados pelas auditorias que revelaram problemas na exposição da PT ao GES, mas garantiu que, até ao dia em que saiu da empresa, ninguém o abordou sobre as suas práticas.

«Nunca tive um único reparo, de nenhum órgão de supervisão, interno ou externo, a qualquer tema da área financeira. Não me lembro de uma única vez os auditores terem referido que a equipa financeira da PT alguma vez não tenha cumprido as regras que tinham sido estabelecidas».


O ex-presidente da PT assumiu ainda a responsabilidade da área financeira nos investimentos feitos no GES, mas acrescentou que «com certeza a decisão foi tomada em comissão executiva». Bava nunca especificou quem aprovou, por exemplo, uma aplicação de 500 milhões de euros na ESI, a entidade do GES onde foi detetada ocultação de contas.

«Não vou dizer que foi fulano, sicrano ou beltrano. Não me recordo».