O ex-presidente da PT e da Oi admitiu, esta quinta-feira, no Parlamento, que a «parceria estratégica» entre a Portugal Telecom e o BES «tinha contrapartidas de parte a parte», mas garantiu que os interesses da empresa foram sempre tidos em conta.

«Essa parceria estratégica tinha bases que tinham de ser respeitadas. Tinha contrapartidas de parte a parte. As empresas assinam os contratos para os cumprir».


Zeinal Bava respondia a uma pergunta do deputado do PCP, Bruno Dias, sobre o enquadramento da posição do BES na PT como acionista de referência. Mais tarde, explicou que não havia «distinção» entre o trabalho com o BES ou com o GES.
 

«A PT via o Grupo Espírito Santo (GES) como uma unidade e não distinguia o grupo do banco. Na PT nós sempre trabalhamos no pressuposto de que estaríamos a lidar com a mesma entidade».


No entanto, destacando que a equipa financeira da PT, que liderou até 2006, era «sofisticada» e tinha uma «larga experiência», Bava sublinhou que, «independentemente das preferências», «sempre procurou que os melhores interesses da PT fossem salvaguardados».

«Em qualquer momento, a PT teria feito qualquer investimento em detrimento dos seus próprios interesses».

 
O ex-presidente da PT assegurou que as operações executadas com o BES eram sempre «discutidas» e havia a «procura das melhores soluções possíveis», passando depois a responsabilidade para o conselho de administração da PT.

Questionado sobre o que significava, na prática, essa parceria, Zeinal Bava exemplificou com a «participação acionária cruzada», a «participação nos dois conselhos de administração», a «preferência nos serviços de telecomunicações e financeiros e muitos projetos conjuntos».

Bava reforçou que a PT e o BES tinham o «direito» de «fazer a melhor proposta», mas não eram obrigados a fazer as operações.
 

«Em nenhum momento, independentemente dos acordos que existiam, a empresa faria um pior negócio se tivesse alternativas».


O ex-presidente executivo da Oi destacou ainda que «a estratégia financeira» da PT era «aprovada todos os anos» na assembleia-geral de acionistas.

Sobre a relação com o BES/GES, Bava esclareceu que «existiam administradores comuns» com a PT e que «estariam todos bem informados» sobre as questões a tratar entre as duas empresas.