«Em sã consciência não sabia» ou «não guardo memória dessa informação» são as frases mais repetidas por Zeinal Bava na comissão de inquérito ao BES/GES. O ex-responsável da PT não trouxe advogado para o Parlamento, mas de vez em quando olha para um papel para se recordar destas palavras.
 
O presidente da comissão, Fernando Negrão, chegou mesmo a intervir para apelar a Bava que fosse mais «esclarecedor». O ex-presidente da PT pediu desculpa.
 
Na vez do PS, Pedro Nuno Santos tentou por várias vezes e de diferentes formas saber se o BES, como acionista de referência de PT (com uma participação de cerca de 10 por cento), tinha maior interferência na empresa do que outros acionistas que detinham capital semelhante. Não obteve resposta.
 
«Era mais proactivo?», questionou então o socialista. «Era», respondeu apenas o ex-presidente executivo da PT, admitindo que o BES «naturalmente que tinha uma interlocução de referência» na empresa. «Já é alguma coisa», desabafou Pedro Nuno Santos.
 
Mais tarde, foi a vez da deputada do CDS, Cecília Meireles, confessar a sua «frustração» com a falta de esclarecimentos desta audição. No entanto, a deputada democrata-cristã conseguiu perceber que a PT apenas investia em títulos do GES.
 
«Tem conhecimento de aplicação de títulos noutro grupo além do GES?», perguntou Cecília Meireles. «Que eu saiba, não», respondeu Zeinal Bava. «Que eu saiba, também não», ironizou a deputada, sorrindo.