A possibilidade de o Banco Central Europeu (BCE) agir contra a inflação baixa no início de junho «aumentou consideravelmente», declarou hoje um dos diretores da instituição, Yves Mersch.

«A probabilidade de o conselho de governadores agir na próxima reunião de política monetária, em junho, aumentou consideravelmente», afirmou Mersch num discurso proferido numa conferência em Munique.

Mersch repetiu que o BCE ainda não viu qualquer sinal de que o cenário de deflação se materialize na zona euro.

«No entanto, devemos estar pelo menos preparados para o risco residual de deflação», acrescentou o luxemburguês.

Na semana passada, o economista chefe do BCE, Peter Praet, declarou que a instituição não pode deixar a inflação persistir a um nível muito baixo durante demasiado tempo.

A taxa de inflação na zona euro foi de 0,7% em abril, depois de 0,5% em março, ou seja, longe dos objetivos do BCE de manter a inflação ligeiramente abaixo dos 2%.

Praet indicou que o BCE está pronto a adotar uma medida ou uma combinação de medidas, citando a possibilidade de ser concedido um empréstimo a longo prazo aos bancos para facilitar o crédito.

A taxa de depósito do banco poderia também passar a ser negativa, o que aconteceria pela primeira vez.

A taxa diretora do BCE está desde novembro no mínimo histórico de 0,25%.

No domingo, a revista alemã Der Spiegel informou que o BCE poderá na sua próxima reunião aprovar uma descida desta taxa para 0,15%.

No início de maio, o presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou que a instituição sente-se «confortável» para agir já na próxima reunião, em junho, depois de conhecidas as suas previsões para a inflação e o crescimento.

A próxima reunião de política monetária do BCE está prevista para 5 de junho.