O ministro das Finanças grego confirmou esta sexta-feira que o novo governo não vai mais trabalhar com a troika, nem pedir um prolongamento do segundo programa de resgate.
 
«Não temos intenção de trabalhar com uma comissão que não tem razão de existir, mesmo na perspetiva do Parlamento Europeu», afirmou Yanis Varoufakis, acrescentando que, depois de ter recebido «a confiança» dos eleitores, a sua primeira ação não podia ser «rejeitar a lógica de questionar este programa através de um pedido para o estender».
 
A troika é constituída pela Comissão Europeia, pelo Banco Central e pelo Fundo Monetário Internacional. O que o novo ministro das Finanças grego pretende com esta afirmação é garantir que não irá receber em Atenas os enviados destas três instituições, mas que irá trabalhar numa alternativa junto da Europa. 

Aliás, Varoufakis vai iniciar de imediato uma ronda de visitas que começa já este domingo, em Londres, onde vai encontrar-se com o ministro das Finanças britânico, George Osborne. Na segunda-feira, estará em Paris com o seu homólogo francês, Michel Sapin, e no dia seguinte vai a Roma falar com o homólogo italiano, Pier Carlo Padoan.

«Vamos tentar convencer os nossos parceiros que é do interesse da Europa fazer um novo acordo».


Varoufakis falava no final de uma reunião com o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, que concordou que há um «interesse mútuo» na recuperação económica da Grécia, mas deixou um aviso: «Ignorar os acordos não é o caminho certo».

Dijsselbloem rejeitou ainda a necessidade de uma conferência europeia sobre a reestruturação da dívida, alegando que, para isso, «já existe o Eurogrupo». Passos Coelho também rejeitou esta ideia esta sexta-feira.

Segundo relata o «The Guardian», no momento em que o ministro das Finanças grego afirmou que não vai cooperar mais com a troika, o presidente da Eurogrupo aparentou ficar muito irritado e disse algo ao ouvido de Yanis Varoufakis, tendo ficado uma «tensão no ar».

A correspondente deste diário britânico em Atenas ouviu mesmo membros da equipa do governo grego dizerem «Oh, meu Deus» e «Será que está na altura de fazer as malas?».

Uma fonte do governo grego já tinha avançado à agência Reuters esta manhã que o novo executivo não estava interessado em receber os membros da troika em Atenas.
 
Recorde-se que o programa de resgate termina a 28 de fevereiro e que a troika mostrou disponibilidade para ir a Atenas assim que o novo governo estivesse formado para negociar o seu prolongamento.

Segundo relata a Reuters, durante a reunião, o presidente do Eurogrupo avisou Varoufakis que a Grécia terá de cumprir o acordo existente e que não deverá tomar decisões unilaterais. 

Antes deste encontro, Jeroen Dijsselbloem encontrou-se com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.