O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, afastou hoje a possibilidade de na próxima reunião do Ecofin (ministros europeus da Economia e Finanças) se chegar a acordo sobre o mecanismo único de resolução bancária, que começará a funcionar em 2016.

Numa conferência organizada pelo Bundesbank, o ministro alemão insistiu que o acordo alcançado em dezembro é um bom compromisso e considerou a negociação «difícil».

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, afirmou recentemente que os ministros das Finanças estão determinados em concluir as negociações sobre o mecanismo único de resolução bancária até ao final de março, apesar de existirem ainda vários pontos em aberto.

A Alemanha defende que o mecanismo de resolução deve ser acordado por um pacto intergovernamental, alegando que o contrário exigiria uma modificação dos tratados europeus, o que levaria muito tempo.

Foi essa a fórmula acordada pelos 28 em dezembro para evitar modificar os tratados da União Europeia, mas a opção não conta com o apoio do Parlamento Europeu.

A Alemanha também defende que o fundo de resolução esteja operacional em 2026 e que até lá cada país responda pelos seus próprios bancos, algo que Schäuble reiterou hoje, mas o Banco Central Europeu (BCE) e o Parlamento Europeu preferem que o fundo esteja operacional antes.

Em finais de janeiro, o Ecofin considerou necessário chegar a acordo sobre o mecanismo único de resolução bancária antes das eleições europeias de 25 de maio.

O ministro das Finanças alemão disse também que agora já se veem os resultados das reformas estruturais nos países da zona euro, assinalou que «Espanha e Irlanda concluíram com êxito os seus programas de assistência», que Portugal faz progressos e que a Grécia também.

Schäuble foi mais crítico em relação a França e considerou que Itália necessita de reformas.