O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, anunciou esta quarta-feira que vai submeter a votação no parlamento espanhol, ainda que a lei não o obrigue, o acordo para o novo resgate financeiro pedido pela Grécia aos parceiros europeus.

O anúncio de Rajoy surgiu hoje no decorrer do plenário do Congresso dos Deputados - agendado para discutir as conclusões do último Conselho Europeu -, e o chefe do Governo espanhol justificou a sua decisão com o elevado volume de recursos financeiros (incluindo para Espanha) que implica um terceiro resgate grego.

Na prática, porém, a votação sobre o terceiro resgate financeiro à Grécia poderá forçar as restantes formações, sobretudo o PSOE e o Podemos, a clarificarem, em pleno Congresso, as suas posições quanto ao terceiro resgate grego.

O partido no poder, o PP, de Rajoy, enalteceu o acordo alcançado, enquanto as formações mais à esquerda ou condenaram (Izquierda Unida) ou reagiram com aplausos ao acordo, mas críticas ao Governo pela sua posição negocial dura.

O Podemos, que desde a sua formação defende uma reestruturação da dívida pública espanhola - tal como o Syriza defende para a Grécia - deixou cair essa ideia na terça-feira, afirmando que já não a vê necessária para Espanha.

As comparações entre o Syriza e o Podemos, as políticas que defendem e a situação económica na Grécia têm sido utilizadas com frequência nas mensagens dos partidos espanhóis, especialmente do PP, que tem tentado colar o caso grego a uma eventual vitória do partido de Pablo Iglesias.

No plenário, Rajoy reiterou que a Espanha dará todo o apoio à Grécia no terceiro resgate, desde que o Governo de Alexis Tsipras cumpra com os seus compromissos.

Apenas seis países da UE têm leis que os obrigam a votar nos respetivos parlamentos o novo acordo com a Grécia (entre os quais a Alemanha, mas não a Espanha ou Portugal).

No entanto, Rajoy disse que o assunto tem de ser debatido e votado no parlamento espanhol porque implica "muitos recursos, garantidos pelos contribuintes".

Segundo os últimos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI), as necessidades de financiamento da Grécia "aumentaram de forma notável", desde o referendo e do fecho dos bancos gregos, elevando-se agora a valores entre os 82 mil e os 86 mil milhões de euros.

Na resposta, o líder socialista, Pedro Sánchez, recordou ao presidente do Governo espanhol que o parlamento alemão votou o resgate dos bancos espanhois em 2011, mas que esse debate não se realizou no parlamento espanhol.

Ainda assim, Sánchez reafirmou que Alexis Tsipras se enganou nas políticas propostas, por exemplo ao realizar uma amnistia fiscal, mas sublinhou que Rajoy também aprovou uma amnistia fiscal.

"Os extremos também se tocam", acusou o líder socialista.