O CDS-PP fez questão de frisar hoje, no debate que antecedeu a votação final global do Orçamento do Estado para 2016, no Parlamento, que participou "de forma construtiva" na discussão do documento na especialidade. O PSD, fiel ao que tinha prometido, recusou dar o seu contributo para um Orçamento que é "socialista, bloquista e comunista". Para além de terem vincado essa em que a ex-coligação acabou por divergir, os partidos da direita dedicaram-se ao ataque de um Orçamento de "ilusões", com uma panóplia de adjetivos:

Luís Montenegro usou um adjetivo com três letras para reduzir o Orçamento àquilo que o PSD entende que ele é: "mau". "Não é amigo das famílias e das empresas, não combate as desigualdades. É mau para a economia, afugenta investidores, penaliza competitividade fiscla, não é amigo das empresas, mau para as pessoas, dá seletivamente com uma mão e tira com a outra; trata tudo com a mesma bitola e não é solidário com os mais pobres e desprotegidos. Impostos injustos e agressivos". Mas disse mais:

"O Orçamento não tem emenda"

"OE demasiado precário e irrealista"

Já o CDS-PP chamou à maioria parlamentar "os syrizistas de cá", dizendo que é em Portugal e não na Grécia que está a "syriza no topo do bolo". Pela voz do deputado Telmo Correia, a ironia foi em crescendo, quando se referiu à polémica sobre o aumento do imposto sobre os combustíveis: 

"O primeiro-ministro chegou mesmo a recomendar aos portugueses que não fumassem nem utilizassem o automóvel. Já agora não podem comprar carro, casa ew só podem consumir produtos que não sejam transportados e, se possível, da sua própria horta. E já agora sem adubos, porque esses chegam de camioneta".

Referiu-se a António Costa como o "homem-geringonça" que "se esqueceu de como ia buscar receita e fechar conta, ou então seguem a sua sugestão e a conta não podia fechar nunca" e criticou a opção "estritamente ideológica" do Governo: "Entre o Estado e a família, a vossa opção é o Estado".

A direita une-se numa palavra - ilusão - para classificar o que o Governo PS, com apoio de BE, PCP e PEV, pretende fazer com as contas públicas. 

"Um conjunto de ilusões, baseado na falácia da esquerda de proteger as pessoas e penalizar as empresas. É uma ideia infantil. Mas o que são as empresas que não pessoas? Não existem empresas falidas com trabalhadores felizes. É o sucesso e o lucro das empresas que cria emprego e gera o sucesso dos seus trabalhadores" (Telmo Correia)

 

"A ilusão de que se pode gastar sem ter dinheiro não lembra ao diabo. Merece oposição, forte oposição. António Costa faz hoje o que José Sócrates fez em 2009: dá o que tem e o que não tem, para a seguir cobrar em dobro. Um folheto eleitoral e depois apresentará as faturas" (Luís Montenegro, que cita José Rentes de Carvalho)

Em suma, para PSD e CDS-PP, o plano B é inevitável. Luís Montenegro falou em "plano B amanhã" para sugerir que estará para breve. Telmo Correia antecipou já que as promessas da esquerda "vão ficar reduzidas a uma nota de rodapé". "Continuem a cantar o Grândola que nós preferimos o Hino Nacional", atirou ainda.

PSD recusa "amuo" ou "birra"

Atacado por toda a esquerda nesta debate por não ter "ido a jogo" na discussão do Orçamento do Estado na especialidade, o PSD acabou por responder às críticas, também carregando na ironia.

"Os ofegantes apoiantes desta geringonça apressaram-se a dizer que PSD estava amuado e posição de birra, que não digerimos bem a formação deste governo de perdedores. Estão errados, profundamente equivocados, profundamente confusos, não percebem o essencial. Não estamos contra este orçamento por causa da forma que os senhores constituíram este governo (....) o PSD está de consciência tranquila, estamos contra por razões substantivas"