A Venezuela anunciou esta quarta-feira que está a analisar as tabelas de preços apresentadas por 21 das 24 companhias aéreas internacionais que operam no país, para o cálculo das viagens efetuadas a partir de Caracas.

O anúncio foi feito ministro de Transporte Aquático e Aéreo, Luís Graterol, através do canal estatal Venezuelana de Televisão.

Segundo aquele responsável as restantes três companhias apresentaram uma proposta de preços que o Executivo pediu que fosse revista, porque o custo das passagens, em dólares, «não era o mais adequado», destacou o governante.

«O valor dos bilhetes deve afixar-se pela resolução cambial de Sicad-1, a 10,80 bolívares por dólar, tendo em conta o trajeto. Se um bilhete Maiquetía (Caracas) - Miami, custa 2.335 dólares e contempla um trajeto de 1.300 milhas, não pode ser possível que um bilhete Bogotá - Miami, que percorre 1.529 milhas, custe 700 dólares. A diferença é de 382% e é evidente a especulação», disse.

Também esta quarta-feira o presidente da Comissão de Administração e Serviços da Assembleia Nacional (parlamento) da Venezuela, Cláudio Farias, anunciou que o Governo venezuelano está a avaliar mecanismos com vista à aplicação de sanções contra as companhias aéreas internacionais que operam no país pela alegada «sobrevalorização» dos preços dos bilhetes, mau serviço e bloqueio de ofertas.

«Estamos a preparar uma queixa contra as companhias aéreas pelos atropelos (...) exigindo que devolvam aos venezuelanos o que estes pagaram em excesso», disse.

Desde 2003 vigora na Venezuela um apertado sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país e obriga as companhias aéreas a terem autorização para poder repatriar os capitais gerados pelas suas operações.

Caracas deve atualmente 3,43 mil milhões de dólares (2,52 mil milhões de euros) às companhias aéreas internacionais, por repatriação dos capitais e lucros correspondentes às vendas de bilhetes de avião desde 2012, a qual tem sido dificultada pelas leis cambiais vigentes.

As dívidas afetam a portuguesa TAP e outras 15 transportadoras internacionais.

As dificuldades levaram a Air Canadá e a Alitalia a suspender recentemente os voos para Caracas, enquanto a American Airlines reduziu em 80% as suas operações e a Lufthansa decidiu parar a venda de novos bilhetes.

A Delta Airlines, uma das maiores companhias aéreas norte-americanas, anunciou, esta segunda-feira, que vai reduzir 86% dos voos semanais que realiza entre Atlanta e Caracas, a partir de 01 de agosto.