O ministro da Economia, Pires de Lima, disse que os sucessivos cancelamentos de voos na TAP colocam em causa a «imagem de Portugal» e que devem ser «motivo de reflexão» para a administração da companhia.

«Estes cancelamentos e estes atrasos não são seguramente uma coisa boa e devem ser um motivo de reflexão para a administração da TAP e para todos nós», afirmou o ministro, à margem de uma visita oficial à capital angolana.

Questionado pelos jornalistas, António Pires de Lima assegurou que o Ministério da Economia tem «acompanhado de perto» a «evolução operacional da TAP», admitindo que com a sucessão de atrasos e cancelamento de voos é «a imagem de Portugal, também, que está em causa».

«Nós temos a obrigação, enquanto Ministério da Economia, de pedir à administração da TAP que recupere operacionalmente a normalidade das operações na TAP num tempo curto. E essas expectativas foram criadas pela própria administração, para as próximas semanas e durante o mês de agosto», sublinhou Pires de Lima.

«Essa é a expectativa que a administração da TAP criou e que nós, Governo, queremos ver cumprida», enfatizou.

A TAP cancelou 48 voos entre quarta-feira e sábado, justificando a decisão com um atraso na entrega de seis aviões Airbus à companhia de transporte aéreo portuguesa, causa à qual considera ser «totalmente alheia».

Perspetivando a normalização da situação durante o mês de agosto, mas garantindo que a mesma não coloca em causa a segurança da companhia de bandeira nacional ou o seu processo de privatização, o Governo quer depois perceber o que correu mal neste processo.

«A seu tempo, com calma, com tranquilidade, com serenidade, durante os meses de setembro e outubro, eu acho que é preciso aprofundar as razões desta crise de crescimento que se verificou na TAP e que perturba o serviço e a vida das pessoas. Nós temos de compreender isso, para que estas situações não se voltem a repetir no futuro», disse.

Apesar das dificuldades operacionais sentidas pela companhia, o governante reafirma que a TAP «continua a ser uma empresa tão segura como sempre foi no passado», mas assume que a situação atual, com várias suspensões de voos e atrasos, «prejudica a vida das pessoas».

«É com os clientes da TAP, com a imagem de uma companhia de que o Estado é o único acionista, neste momento, e que leva o nome de Portugal a todo o lado, com que eu estou preocupado, legitimamente preocupado, como ministro da Economia», apontou.

Para o ministro, que tutela a empresa controlada totalmente pelo Estado, «é muito importante que a TAP tenha uma imagem não só de segurança, que sempre manteve e mantém», mas também «de credibilidade operacional».

«No sentido em que os voos que promete se fazem e partem a tempo e horas», rematou Pires de Lima.