Mais 74 mil passageiros aterraram nos Açores nos primeiros quatro meses de liberalização das ligações aéreas, revelou o secretário de Estado dos Transportes, que garantiu, ainda, estar longe de ser esgotado o orçamento previsto para os subsídios aos residentes.

Segundo disse Sérgio Monteiro na sexta-feira à noite, entre 2010 e 2014, o crescimento médio anual de passageiros que chegavam aos aeroportos açorianos era de 2,9%, mas este ano, em comparação com 2014, esse crescimento está a ser de 20% em média.

"E nalgumas ilhas, naquelas em que temos conectividade direta [voos diretos para o continente] estamos a crescer mais de 40% em termos de número de passageiros e depois todas as outras ilhas beneficiam", acrescentou, durante um jantar com os alunos da Universidade de Verão do PSD/Açores, nas Velas, ilha de São Jorge.


Sérgio Monteiro sublinhou que o aumento de mais 74 mil passageiros em relação a 2014 corresponde ao período entre abril e julho, não englobando ainda agosto, ou seja, trata-se dos primeiros quatro meses de funcionamento do novo modelo de ligações aéreas que levou à entrada das 'low cost' nos Açores.

O secretário de estado revelou, por outro lado, que foi o Governo Regional da Madeira que quis introduzir um limite para os reembolsos para os residentes naquele arquipélago, ao contrário daquilo que aconteceu nos Açores.

"Foi uma precaução adicional do ponto de vista orçamental que a Madeira quis incluir e que os Açores não incluíram e, do meu ponto de vista, bem. Nós respeitamos obviamente as preocupações dos governos regionais e, por isso, aceitámos essa proposta no caso da Madeira", afirmou.


Sérgio Monteiro disse que, no caso dos Açores, os dados de que dispõe indicam que "os montantes de reembolso [de residentes] estão longe de atingir o limite que está previsto".

Mas se, no futuro, esse limite for ultrapassado, "o modelo está pensado" para que esse gasto superior seja suportado, "em primeira linha", por quem mais se beneficia, afirmou.

"Se há mais turistas há mais dinheiro nos Açores, portanto, é justo que haja essa redistribuição do esforço entre os contribuintes nacionais e aquilo que é o orçamento regional. Mas não me parece que esse seja um risco de curto prazo, estamos ainda longe dos valores de reembolso que estão pensados", insistiu.


Sérgio Monteiro disse que o modelo adotado para os Açores está a funcionar bem e considerou que a reforma das ligações aéreas à região "demorou muito tempo".

"Quem me dera tê-la feito em 2012", afirmou, revelando que nesse ano recebeu uma proposta do executivo açoriano, que rejeitou, porque mantinha "tudo como estava".

"Foi uma pena que tivéssemos de esperar tanto tempo. Mas as coisas são o que são, na prática, tivemos de convencer toda a gente que era nosso interlocutor neste processo de que havia uma solução que permitia proteger ao mesmo tempo os açorianos e dar-lhes o benefício do mercado a funcionar", acrescentou.


Sérgio Monteiro disse que, por isso, hoje encontra "alguma graça quando todos se querem juntar à fotografia", que "o ímpeto reformista" foi do Governo nacional e que o presidente do PSD/Açores, Duarte Freitas, não lhe "largou o pé" e o telemóvel, pedindo-lhe para não desistir.

O secretário de Estado disse ainda não saber quando é que as 'low cost' começam a voar também para a Terceira.

"Vamos ver o que é o mercado diz e responde ao repto que os terceirenses têm feito e que o Governo tem acompanhado (...). O que posso dizer é que acompanhamos o assunto com atenção e temos vindo a procurar interessar cada vez mais o mercado a voar para a Terceira", acrescentou.