Para o diretor do Departamento de Assuntos Orçamentais do Fundo Monetário Internacional, os Papéis do Panamá (ou Panama Papers), merecem fortes críticas: não à divulgação do escândalo de corrupção em si, mas sim a quem andou a fugir ao fisco. Este responsável do FMI é o português Vítor Gaspar, ex-ministro das Finanças, que condena o comportamento dos ricos, que são quem devia dar o exemplo e pagar, mais do que os pobres.

"Numa altura em que as perspectivas económicas não são brilhantes e que, em muitos sítios do mundo, é pedido às pessoas para contribuir para as finanças públicas, é simplesmente  inaceitável 

ter uma percepção de que os mais ricos não estão a pagar a sua parte no esforço, usando meios, 
legais ou ilegais, para se evadir ou evitar impostos"

Numa conferência do Fiscal Monitor, quando questionado pelos jornalistas, Gaspar considerou que o caso dos Papéis do Panamá tem "de novo" são duas questões: a questão da opacidade (falta de transparente) inerente aos esquemas que prejudicam todos os países, desde os emergentes aos desenvolvidos, pelo que "afetar todos", à escala mundial, e, por outro lado, trata-se de uma questão de (in)justiça.

Para o ex-ministro do governo de Passos Coelho - que se demitiu em 2013 e que ficou colado à sua própria expressão "enorme aumento de impostos" - as pessoas, no geral, "à volta do mundo estão profundamente consternadas", porque em causa está uma "questão de justiça". Neste caso, falta dela, já que muitos milhões de euros foram encobertos ilegalmente em offshores por centenas e centenas de pessoas, incluindo políticos e outras personalidades.

E que papel tem ou deveria ter o FMI? Gaspar garante que o Fundo a transparência fiscal e boa governance são assuntos em relação aos quais o FMI "sempre lidou de muito perto". "Fazemos isso", nos "exercícios" habituais com os países e também ao nível da "assistência técnica", assegura.

"São preocupações que atravessam tudo o que o Fundo faz, desde há muitos anos"

Os Papéis do Panamá são a maior fuga de documentos confidenciais sobre o negócio dos paraísos fiscais. Trata-se, ainda, da maior investigação de sempre do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), ao qual a TVI pertence. Em conjunto com o Expresso, está a tratar a informação para divulgar as matérias de interesse público. 

A história relativa aos portugueses começa no Luxemburgo, sendo que há mais de 240 portugueses nas offshores da Mossack Fonseca, de onde partiu a fuga de informação que fez rebentar o escândalo.