O ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar defendeu na quarta-feira numa universidade norte-americana, em Nova Iorque, que «os economistas não são muito bons a prever o resultado de processos políticos».

As declarações foram feitas na Universidade de Columbia, onde o antigo ministro do Governo chefiado por Passos Coelho participou na conferência sob o tema «A construção de um sistema financeiro continental: lições para a Europa da história americana».

Segundo a universidade, o objetivo era discutir a experiência de Alexander Hamilton enquanto primeiro secretário do Tesouro norte-americano, entre 1789 e 1795. Gaspar afirmou que, depois de sair do Governo, em julho do ano passado, decidiu que «seria mais seguro» dedicar-se ao estudo de uma personalidade na história norte-americana.

O ex-ministro das Finanças disse que Hamilton «estava muito preocupado com a estabilidade política» dos Estados Unidos e que considerava que «o estado da divida pública era indicador da qualidade de governação.»

Entre as inovações do economista americano, Gaspar explicou que Hamilton «criou um esquema de redução da divida com base nos mercados» e que ensinou a aceitar que «os acidentes vão sempre acontecer.»

O atual diretor do departamento de assuntos orçamentais do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que, «quando a crise começou, não havia procedimentos para gestão da crise» na Europa.

«Entretanto, um número de mecanismos e instrumentos fiscais foram postos em prática», acrescentou, explicando que «o momento decisivo aconteceu no verão de 2012, quando [os estados-membros] decidiram avançar para uma união monetária e económica incluindo união bancaria.»

«O risco de fragmentação da zona euro já não e uma preocupação dos atores dos mercados», concluiu, sublinhando que a união «ainda é um trabalho em construção, com elementos importantes para introduzir.»

Sobre a comparação entre EUA e UE, Gaspar disse que «os Estados Unidos têm um histórico brilhante. Nunca entraram em incumprimento, o que não tem paralelo no mundo. [O país] tem tido dificuldades, mas o sistema político norte-americano tem provado ser capaz de as ultrapassar.»

Na discussão, participou também Richard E. Sylla, professor da Universidade de Nova Iorque, e Jan Svejnar, professor da Universidade de Colúmbia.