O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constâncio, admitiu hoje uma redução gradual da dependência das agências de notação e disse esperar que o rating de Portugal possa melhorar após a conclusão do programa.

O responsável do BCE falava durante uma audição na comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, em Bruxelas, depois de questionado pela eurodeputada socialista Elisa Ferreira sobre o peso das agências de notação financeira na tomada de decisões para alguns países.

«Obviamente que gostaríamos de usar menos as agências e há um esforço geral de o fazer, mas não temos um aparelho interno que nos permita fazê-lo [a avaliação económico-financeira dos Estados] por nós próprios, ele existe nalguns bancos centrais, mas não podemos substituir tudo isso completamente», afirmou Vítor Constâncio.

Na sua última audição durante o mandato atual do Parlamento Europeu (as eleições são a 25 de maio), e em resposta a Elisa Ferreira sobre o caso de Portugal, Constâncio afirmou que «a situação [previsível] para um país que sai do programa e respeitou os objetivos é uma melhoria das notações».

«Depois de sair do programa não se espera que as agências revejam a notação desse país em baixa, a esperança de todos é que o país, as agências têm o seu o tempo, mas a esperança é de que a notação será melhorada e irá subir depois da conclusão do programa», afirmou, referindo-se implicitamente a Portugal.