Os bancos terão condições para «iniciar uma nova fase» e aumentar o volume de crédito concedido a partir de outubro, afirmou Vítor Constâncio, esta sexta-feira, durante uma conferência do Instituto Financeiro Internacional, em Londres.

«Até à conclusão da nossa avaliação, em outubro, os bancos têm estado na defensiva. Estamos conscientes de que o nosso exercício tem um efeito pró-cíclico: os bancos estão a preparar-se para um exame e não querem ser apanhados, por isso estão a reforçar os balanços. Houve esse efeito no seu comportamento em termos de decisões relativas a crédito», admitiu.

Constâncio disse que, até setembro, os bancos saberão quais serão as consequências da análise à qualidade do balanço de ativos e dos testes de stress, cuja divulgação deverá ser feita em outubro.

Tal coincide com a primeira tranche (em setembro) de operações de empréstimos de longo prazo (LTRO - Long Term Refinancing Operations), anunciada pelo BCE na quinta-feira para injetar liquidez na economia.

«Depois de a avaliação estar terminada, os bancos estarão numa melhor posição para tomar decisões sobre o futuro em termos de crédito e isso coincide com o nosso incentivo com financiamento para o fazerem. Qualquer consideração sobre o facto de os bancos ainda estarem a encolher e a preparar para reforçar os balanços já não se aplica depois de outubro», salientou.

Uma segunda tranche seguir-se-á em dezembro, podendo os bancos pedir emprestado um montante equivalente a 7% da sua carteira de crédito, sem ter em conta os empréstimos à habitação, dinheiro que terão de fazer chegar ao setor privado.

Esta medida faz parte de um pacote anunciado na quinta-feira pelo BCE para combater a baixa inflação e apoiar a economia através do crédito, que incluiu o corte da taxa de juro diretora para 0,15%, fazendo cair a taxa de depósitos para -0,10%, penalizando os bancos que mantenham dinheiro na instituição.

Vítor Constâncio referiu que as medidas anunciadas pretendem não só combater inflação e crescimento baixos, mas também coordenar com os resultados da avaliação em curso a 128 bancos da zona euro, acrescentando: «Até outubro esperamos desfazer quaisquer dúvidas que restem sobre robustez dos bancos europeus».