O número de venda de casas em Portugal aumentou no primeiro trimestre de 2014, com o peso do investimento estrangeiro a representar 14% do total, informou o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).

«Um fator que puxou por este trimestre foi o aumento do investimento estrangeiro e, por exemplo, no Algarve começou a vender-se mais», notou hoje Luís Lima à agência Lusa para explicar a «certa animação» registada nos primeiros três meses, com o aumento de transações em relação ao primeiro trimestre de 2013.

Nos primeiros três meses deste ano, segundo as estimativas da APEMIP, transacionaram-se cerca de 24 mil imóveis.

«Do total do número de transações, 14% são de investidores estrangeiros», resumiu o dirigente da APEMIP, referindo que, com base num estudo a apresentar brevemente, o «aumento do investimento estrangeiro não é só ao nível dos vistos gold, mas também do programa de residente não habitual».

A atribuição de vistos gold, criados no âmbito do programa de Autorização de Residência para Atividade de Investimento em Portugal (ARI), é feita mediante três requisitos: a aquisição de bens imóveis de valor igual ou superior a 500 mil euros, a transferência de capitais no montante igual ou acima de um milhão de euros e a criação de pelo menos 10 postos de trabalho.

De acordo com dados do Governo, foram concedidos, até dezembro, 471 vistos dourados.

«Para mim, o programa do Regime Fiscal para Residentes não Habituais é capaz de ser mais importante», referiu Luís Lima, revelando que a origem do maior investidor estrangeiro é inglesa.

«Os ingleses continuam a comprar e em segundo lugar já aparecem os chineses e em terceiro os franceses», informou.

No primeiro trimestre, o maior número de transações ocorreu em janeiro, com um peso de 37% no total, seguido de fevereiro, com 32%.

«Em alguns distritos, estima-se que aproximadamente 50% das transações incidiram sobre imóveis rústicos», lê-se no documento.

A Área Metropolitana de Lisboa representou 6,8% das transações registadas no país, enquanto o peso da Área Metropolitana do Porto foi de 5,1%, números que «atestam a diminuição da relevância destas áreas do país, dado a importância das transações de imóveis rústicos em outras zonas».