
O Ministério da Agricultura disse que «está a trabalhar para, junto do Governo brasileiro, conseguir que os vinhos portugueses mantenham o lugar histórico que sempre tiveram junto dos consumidores brasileiros».
O Brasil é o quarto maior mercado para o vinho português, razão pela qual o alarme soou entre os produtores nacionais desde que, há pouco mais de uma semana, as autoridades brasileiras anunciaram que iriam «averiguar a necessidade de aplicação de medidas de salvaguarda» sobre as exportações para o Brasil.
Há «indícios suficientes de que as importações brasileiras de vinho aumentaram em condições tais que causaram prejuízo grave à indústria doméstica».
Contactado pela Agência Lusa sobre a questão, o Ministério da Agricultura português respondeu que «está a acompanhar com atenção a discussão levantada sobre o setor do vinho no Brasil e a sua influência nas importações de países terceiros (fora do Mercosul)».
O Ministério informou ainda que, «em conjunto com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, está a trabalhar para, junto do Governo brasileiro, conseguir que os vinhos portugueses mantenham o seu lugar histórico» no grande mercado brasileiro.
O vice-presidente da Viniportugal e também produtor Luís Pato olha para a situação com «grande preocupação». «O Brasil é um dos nossos mercados-alvo e, mais do que isso, estratégico». Para este produtor, aliás, aquele país é o seu «primeiro mercado».
Em 2011, as exportações de vinhos portugueses para o Brasil somaram quase 24 milhões de euros, mais cerca de 19 por cento face ao ano anterior.
«O Brasil quer aumentar os impostos sobre o vinho importado de 27 para 55 por cento e a Europa não reage. O facto de eles impedirem que o vinho da Europa entre no Brasil não vai proteger os produtores brasileiros, porque os argentinos e os uruguaios não ficam limitados e produzem muito mais barato e melhor do que os brasileiros».
O responsável considerou ainda que «este é um problema do Rio Grande do Sul», região brasileira onde se produz mais vinho, e «um pequeno negócio para o Brasil».
«Logo que a questão surgiu, informei as autoridades portuguesas, inclusive o Ministério da Agricultura».
«Os produtores europeus e até o Chile - que se encontra fora do Mercosul - serão muito penalizados» se o Brasil avançar com medidas protecionistas neste setor, alertou o diretor da Essência do Vinho Nuno Botelho.
«Além de restrições de volume, a medida poderá implicar regras mais apertadas, falando-se já da obrigatoriedade de uma licença de importação que levará a mais burocracia, tempo acrescido de autorização e, claro, aumento de preço».
«Este último aspeto é particularmente sensível, dado que o vinho europeu é tido como genericamente caro no Brasil pois, em média, a carga fiscal representa mais de 80 por cento do preço final junto do consumidor», exemplificou Nuno Botelho.