Portugal não precisará de um segundo resgate nem, «se as coisas correrem bem», de um programa cautelar, afirmou o presidente executivo do Banco Santander Totta, que mostrou prudência sobre a recuperação económica do país.

«Segundo resgate não acredito que haja. Programa cautelar, eu acho que também, se as coisas correrem bem, não vai ser necessário», afirmou António Vieira Monteiro à Lusa em Londres, onde o Santander Totta recebeu, na quinta-feira à noite, o prémio da revista The Banker de melhor banco em Portugal.

Porém, avisou que é fundamental «uma determinada estabilidade, é necessário que os mercados tenham confiança no país. Se isso acontecer, não precisamos nem sequer de plano cautelar».

Portugal pode acionar a possibilidade de acesso a uma linha de crédito cautelar após o fim do programa de assistência, em junho de 2014, se não conseguir obter financiamento nos mercados em condições satisfatórias.

O banqueiro considera ser cedo para discutir esta questão, defendendo que o país deve «crescer e avançar no sentido de não haver plano cautelar» e dar confiança aos mercados.

«O grande sinal de confiança dos mercados é a baixa da taxa de juro do mercado secundário da dívida portuguesa. Quando isso acontecer, estamos no bom caminho», vincou.

Vieira Monteiro foi ainda cauteloso na análise à recuperação económica, anunciada pela saída oficial da recessão técnica em setembro, após dois trimestres de crescimento.

«Os indicadores são positivos, mas como todos os indicadores, num ambiente difícil como o que nós vivemos, não só no país como também no mercado que nos rodeia, que é o mercado europeu, devem sempre ser analisados com alguma prudência», declarou.