O ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, afirmou esta sexta-feira que está tranquilo quanto à viabilidade do Montepio Geral e afastou o risco de rutura da instituição financeira.

“Estou relativamente tranquilo. Pela informação que eu tenho, julgo que não há nenhum risco de rutura. É uma instituição de natureza diferente, relativamente àquelas outras que conhecemos do setor financeiro, tem uma matriz de base associativa […] e creio que deve ser defendida como um fator de equilíbrio e de enriquecimento do nosso setor financeiro”, disse o ministro do Trabalho.

Vieira da Silva, que falava aos jornalistas à margem de um almoço promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, em Lisboa, reiterou que o Montepio “é uma instituição com uma fortíssima presença junto de centenas de milhares de portugueses e que tem condições para ter um futuro equilibrado, e que corresponda aos desejos e aos interesses daqueles que fazem parte dessa associação mutualista”.

“Tenho tido contactos com a instituição, todos sabemos que existem problemas no setor financeiro, diferenciados consoante as instituições, mas todas as informações que tenho são no sentido de uma estabilização e de uma recuperação dessa instituição”, insistiu o ministro.

A Associação Mutualista, o topo do Grupo Montepio, é supervisionada pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, enquanto a Caixa Económica Montepio Geral, o chamado banco mutualista, tem supervisão do Banco de Portugal.

Ainda recentemente a DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor reivindiou que a supervisão dos planos mutualistas do Montepio passe do Governo para um regulador financeiro independente, à semelhança dos outros produtos financeiros, algo que chegou a estar em cima da mesa do anterior executivo, mas que não avançou.

A Caixa Económica Montepio Geral divulgou hoje que obteve prejuízos de 243,4 milhões de euros em 2015, acima dos cerca de 187 milhões de euros de perdas em 2014.

O banco justificou, em comunicado, este agravamento dos prejuízos com o facto de ter feito menos resultados com as operações financeiras (138,7 milhões de 2015, abaixo dos 352,2 milhões de 2014), sobretudo devido às menores mais-valias com a dívida pública, depois de em 2014 terem sido vendidos muitos desses títulos.

O Montepio aumentou o capital em 300 milhões de euros, totalmente subscritos pela Associação Mutualista, com o presidente do banco a dizer que uma abertura do capital ao exterior será equacionada "quando for oportuno".