O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira e a Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro anunciaram esta terça-feira que os funcionários da BA Vidro vão realizar dois dias de greve contra a retirada de direitos.

“Nos plenários realizados, os trabalhadores mais uma vez assumiram que não abdicam dos direitos conquistados há mais de uma década. Assim, decidiram continuar a luta e realizar dois dias de greve por trabalhador de 19 a 22 de setembro”, refere um comunicado das duas estruturas sindicais.


No documento, estas entidades acusam a BA Vidro, com três unidades em Portugal, uma das quais na Marinha Grande, distrito de Leiria, de retirar direitos aos trabalhadores “sem qualquer fundamento legal ou contratual”.

“Depois de vários anos a tentar impor a sua posição aos trabalhadores e a agir, de forma a obter assinaturas individuais que, pretensamente, dariam cobertura aos seus atropelos à lei e ao contrato coletivo de trabalho, a empresa lida mal com o diálogo e a negociação coletiva”, consideram.

Segundo o texto, “o problema da BA não é falta de dinheiro para atender às reivindicações dos trabalhadores – que são apenas a exigência de reposição de direitos - mas é, sim, o incumprimento da contratação coletiva do setor e de empresa”.

Para os sindicatos, “a redução dos dias de compensação para os trabalhadores de turnos significa mais tempo de trabalho e a consequente redução do valor do salário/hora, agravada com o não pagamento do subsídio de refeição”.

“Também sabemos que a redução do valor do trabalho normal prestado em dia feriado e do valor do trabalho suplementar significam a perda de rendimento dos trabalhadores”, adiantam.


Referindo que a BA Vidro é, atualmente, “a única empresa do setor do vidro de embalagem que ainda não negociou um acordo de empresa com a federação e o sindicato”, as duas estruturas sindicais garantem que “não abdicam de exercer direitos coletivos e exigir a reparação e restituição das perdas salariais, junto de todas as instituições, desde a ACT – Autoridade para as Condições de Trabalho aos tribunais e às instituições que zelam pelo cumprimento dos direitos sociais e laborais”.

Contactada pela Lusa, a empresa não quis pronunciar-se sobre o comunicado.