O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, apelou hoje à mobilização dos trabalhadores contra o «esbulho de direitos» e condenou o aumento da Taxa Social Única (TSU) e do IVA.

«Se nunca puseram em causa a nossa disponibilidade para o diálogo, queremos afirmar que essa disponibilidade também se irá verificar na mobilização dos trabalhadores para a luta contra o esbulho de direitos», afirmou Carlos Silva.

O secretário-geral da UGT, que discursava no final das comemorações do Dia do Trabalhador em Belém, Lisboa, exigiu o aumento do Salário Mínimo Nacional logo após as europeias, em junho, manifestando estranheza por o Governo não avançar com o compromisso.

Sobre as medidas contidas no Documento de Estratégia Orçamental (DEO), apresentado na quarta-feira, Carlos Silva advertiu que só o aumento da TSU e do IVA irá «engolir» o aumento do Salário Mínimo se se vier a concretizar e disse que afinal os cortes temporários passaram a definitivos.

«Ficámos ontem [quarta-feira] estupefactos com a apresentação do documento de estratégia orçamental. Como é possível pensar sequer em aumentar o IVA. Será para dar a machadada final no setor da restauração», questionou o sindicalista.

Referindo-se à data apontada pelo Governo para a saída do programa de ajustamento económico e financeiro, Carlos Silva questionou: «Se a "troika" se vai embora a 17 de maio, porquê mais sacrifícios, porquê mais impostos, porquê mais contribuições extraordinárias, porquê a subida do IVA?».

O secretário-geral da UGT manifestou-se indignado pelo anúncio da subida da TSU e do IVA na véspera do 1º de Maio, Dia do Trabalhador, questionando se o Governo PSD/CDS-PP «está com vontade de confrontar os portugueses».

Segundo Carlos Silva, a substituição da Contribuição Extraordinária de Solidariedade por uma "contribuição de sustentabilidade" para as pensões acima dos mil euros é uma questão de semântica, mantendo-se tudo na mesma.

«Transforma o transitório em definitivo e mantém a gravidade dos cortes nas pensões», afirmou, acrescentando esperar que o Tribunal Constitucional «reponha a verdade» em relação à Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES).

O secretário-geral da UGT disse que aquela central sindical está «unida e coesa» e sublinhou a presença, nas comemorações, de antigos líderes como Torres Couto, João Dias da Silva e João Proença.