O presidente do Sindicato de Pilotos da Aviação Civil (SPAC) afirmou este sábado que, além dos serviços mínimos, não houve outros voos no médio curso da TAP e que, nas longas distâncias, se efetuaram apenas mais «um ou dois».

Jaime Prieto disse, no entanto, que «há uma certa dificuldade técnica para conseguir apurar» a adesão à greve, destacando que o objetivo «nunca foi causar um impacto operacional».

Os dados oficiais de que o sindicato dispunha cerca das 11:30 indicavam que, «no médio curso, além dos serviços mínimos, não houve rigorosamente mais voo nenhum» e que, «aparentemente, houve um ou dois voos no longo curso, além do que eram os serviços mínimos».

O que o SPAC espera com esta greve «não é algo materializável de um dia para o outro», mas antes «algo que se pode iniciar e que já se devia ter iniciado há muito tempo, que é uma clara inversão na política de gestão operacional e de recursos humanos da TAP».

Jaime Prieto recordou os «sinais de alerta» que o sindicato tem vindo a apontar à administração da companhia, como «a emigração nunca antes vista de quadros» e a «falência de quadros técnicos altamente qualificados».

Para o sindicalista, a opção da administração da TAP de «continuar a fazer crescer o negócio operacional como se nada estivesse a acontecer» acabou por «inchar a TAP em vez de a fazer crescer», uma situação que o SPAC quer travar.

Questionado sobre se o sindicato pretende convocar novas paralisações no futuro, Jaime Prieto respondeu que, «se as situações na TAP se agravarem, todos os trabalhadores terão de se manifestar de forma ainda mais dura».

No entanto, o representante dos pilotos disse acreditar na «capacidade de interpretação especialmente do acionista», o Estado, e mantém a expectativa de que «o acionista vai intervir».

Aquilo que Jaime Prieto contesta é que a TAP - «que está a perder a sua mais-valia estrutural, que são os quadros técnicos» - esteja a «aplicar nesse negócio medidas de austeridade de forma populista e transversal», sem aplicar «nenhumas medidas de austeridade em negócios que não aportam nenhum valor» à empresa.

«A culpa não é dos trabalhadores que laboram nestas empresas no Brasil, a culpa é de um claro erro estratégico que nunca foi corrigido [e em relação ao qual] nunca ninguém foi claramente esclarecedor e responsabilizado», rematou.

Os pilotos da TAP cumprem este sábado um dia de greve contra o agravamento das condições de trabalho e para obrigar o acionista Estado a receber os sindicatos para se discutir a situação da empresa. A greve teve início às 00:00 de hoje, e prolonga-se até às 23:59.

O porta-voz da TAP, André Serpa Soares, disse aos jornalistas que, dos 42 mil passageiros com reservas para hoje, entre 17 e 18 mil vão mesmo embarcar ao longo do dia e que vão realizar-se cerca de 200 ligações das 350 previstas.