Notícia atualizada às 16:16

O ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, defendeu este domingo que o controle sobre a RTP deve ser entregue a uma entidade «genuinamente independente», afastando os riscos de governamentalização da empresa.

«Acho muito importante que o controle sobre a empresa possa vir a estar nas mãos de uma entidade que é percebida e entendida por todos como genuinamente independente. Isso permitirá não apenas afastar o risco de governamentalização como também permitir uma direção mais efetiva e uma prossecução mais efetiva dos objetivos de serviço público que a televisão tem», frisou.

Em declarações aos jornalistas, à margem das comemorações do Dia do Município de Montemor-o-Velho, Poiares Maduro afirmou que a RTP «vive sob uma suspeita permanente de risco de governamentalização» e que essa suspeita afeta a imagem da empresa estatal de televisão.

«E não apenas afeta a imagem da empresa e do serviço público para todos os portugueses mas afeta também depois, internamente, a capacidade de gestão efetiva. Porque essa gestão é sempre associada, eventualmente, a uma intromissão dos Governos», declarou Poiares Maduro.

«O que posso garantir é que do meu ponto de vista, enquanto ministro, nem sequer nunca contactei nenhum diretor da RTP, nunca sugeri nem me intrometi em qualquer decisão de programação da RTP», adiantou o governante.

«Mas esse risco, essa suspeita de risco de governamentalização existe em permanência sobre a RTP», frisou.

Questionado sobre o modelo que propõe para a televisão pública, disse apenas que «em breve» serão conhecidos os detalhes do que considerou como um «roteiro» para a RTP.

A Comissão de Trabalhadores da RTP considera que as declarações de Poiares Maduro demonstram que, «para o ministro, a governação da RTP está muito mal».

As declarações «demonstram que, para o ministro, a governação da RTP está muito mal, e nisso [o governante] concorda com a comissão de trabalhadores», disse à Lusa Camilo Azevedo.

Para este membro da Comissão de Trabalhadores da estação pública, «a ideia fundamental é que o estatuto da RTP tem de mudar na forma como a governação é escolhida, tem de ser independente do Governo e tem de existir um projeto para a empresa que possa acompanhar essas nomeações, ou seja, não se trata só de pessoas, é preciso também aferir o know-how das pessoas» para o cargo.

O responsável lembrou, aliás, que a CT «sempre discordou da forma como têm sido nomeadas as administrações da RTP» e sublinhou que foi inclusivamente proposto que a nomeação da administração fosse feita pelo Parlamento, «mas de uma forma concreta, que não chegasse àquele entendimento dos países da governação, como acontece no caso da ERC».