Pedro Passos Coelho diz que Portugal não pode querer o mesmo sucesso da Irlanda sem o ónus das dificuldades que isso acarreta.

«Que aqueles que reclamam hoje, que exigem mesmo que nós possamos ter o sucesso da Irlanda, possam suportar o ónus das mesmas medidas, das mesmas decisões que eles souberam tomar e que nós precisamos de tomar para chegar ao fim do nosso processo e ser tão bem sucedidos como eles», defendeu o primeiro-ministro, neste sábado, em Cantanhede, no encerramento do VI Congresso dos Autarcas Social Democratas (ASD).

Ainda a respeito da Irlanda, o chefe do Governo afirmou que Portugal reduziu menos em salários e pensões.

«A Irlanda fez um esforço em termos percentuais superior àquele que nos propomos fazer até ao final do próximo ano», observou.

Passos Coelho apelou, também, a todos os portugueses para que se aliem no esforço que o país está a fazer para concluir o programa de assistência financeira, independentemente do seu partido político.

«Lanço um apelo muito forte, mais uma vez, a todos aqueles», seja «em que partido possam militar ou ter votado, para se aliarem neste esforço nacional, que é o de concluir o nosso programa [de assistência financeira], para podermos pensar de outra maneira daqui para diante», apelou o primeiro-ministro.

«Tenho a certeza de que aqueles que olham para Portugal colocarão de lado os seus interesses partidários ou os seus interesses pessoais, para garantir que o país se voltará a erguer, com toda a legitimidade e com toda a expectativa de poder concretizar um ideal que está ao seu alcance», sublinhou.

Esse ideal «é o de resgatarmos a nossa autonomia financeira e de voltarmos a ter maior liberdade, para, com responsabilidade, construir um futuro melhor», disse.

Dirigindo-se aos autarcas do seu partido, o primeiro-ministro defendeu a necessidade de todos darem o melhor de si próprios e o seu exemplo para que «os portugueses acreditem» que não está apenas a ser feito «o que é necessário no curto prazo», mas que também estão a ser lançadas «as sementes para que o país possa ter um nível de prosperidade maior do que julgou ter alcançado no passado».

«Temos nos próximos anos uma oportunidade não apenas para mudar razoavelmente aquilo que foram as causas do nosso infortúnio em 2011, mas também para não termos de voltar no futuro, como já aconteceu no passado, à situação de ter de pedir emprestado lá fora aquilo que não soubemos equilibrara cá dentro», considerou o líder social-democrata e chefe do Governo.

«Nós sem dinheiro e sem alguma dívida não crescemos, mas isso não chega para ter um país equilibrado e desenvolvido», por isso com o fecho do programa de assistência financeira «iremos iniciar uma etapa nova», defendeu.

Mas, advertiu, «nessa etapa nova há lições do passado que permanecerão: o equilíbrio das nossas contas, o fazer do Estado um exemplo de investimento racional, mas também» a necessidade de ter «toda a sociedade mobilizada para pensar no futuro, para investir no futuro, para confiar mais no futuro do que muitas vezes aconteceu no passado».