O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, afirmou esta sexta-feira ser necessário um discurso de «emancipação face à troika», numa altura em que o Programa de Assistência Económica e Financeira está a terminar.

«Sempre achei que não era muito prático o discurso meramente anti-troika, pela simples razão de que Portugal se colocou numa situação de precisar do dinheiro deles e de ter de lhes bater à porta. Mas é importante, agora que o programa está a terminar, um discurso de emancipação face à troika», defendeu Paulo Portas no final do jantar assinatura do protocolo de cooperação internacional do Grupo Lena intitulado «Casas para o Mundo».

Para tal, o vice-primeiro-ministro disse serem necessárias duas condições: «Capacidade de acordo político entre aqueles que podem governar o país, agora e no futuro, e vontade de compromisso social entre empregadores e representantes dos trabalhadores.»

«Um país só sai da situação em que nós estivemos com este sentido de uma só nação. Cada qual com a sua identidade porque vivemos em democracia, mas os problemas são nacionais, colocam-se a todos os governos, este e os seguintes, e tem que haver entendimento sobre as principais políticas públicas e tem de haver compromisso social entre empregadores e trabalhadores», sustentou Paulo Portas.

Momentos antes, o vice-primeiro-ministro havia salientado «que a luta de classes não conduz a lado nenhum, mas o compromisso e a responsabilidade entre os que empregam e os que são empregados fazem parte do sucesso comum de uma empresa».

Portas lembrou ainda que se «há menos de um ano, quando alguns diziam que Portugal podia crescer 0,8% em 2014, a crítica principal era 'estão a ser otimistas'», no momento atual, «quando se diz que Portugal vai crescer 1,2% em 2014, a crítica principal é 'estão a ser pessimistas'» e rematou: «Antes assim.»