O primeiro-ministro afirmou hoje que espera tomar a «muito breve prazo» uma decisão sobre o aumento do salário mínimo nacional, mas defendeu a necessidade de um «consenso» quanto à sua atualização, que deve estar ligada ao crescimento da produtividade.

«Creio que os parceiros sociais, de um modo geral, têm dado um contexto construtivo para esse diálogo e nós esperamos a muito breve prazo poder tomar uma decisão nessa matéria, na certeza de que teremos de encontrar aqui um consenso quanto ao que devem ser atualizações futuras do valor do salário mínimo nacional que tem que estar relacionado com o crescimento da produtividade no país», disse Pedro Passos Coelho.

O também líder do PSD falava aos jornalistas em Ansião, distrito de Leiria, antes do Conselho Nacional do PSD, órgão máximo entre congressos, que discute o relatório «Territórios de baixa densidade/territórios de elevada potencialidade» e analisa a situação política.

Para Pedro Passos Coelho, as atualizações do salário mínimo nacional não devem estar relacionadas «com outros aspetos que, por mais justos» que possam parecer à primeira vista, «sejam totalmente irrealistas e ponham em causa o crescimento do emprego e a sustentabilidade das empresas, sem o que não haverá salários nenhuns que possam ser assegurados na economia».

Notando que atualmente existem condições que não havia «nestes últimos três anos para poder fazer uma revisão do salário mínimo nacional», o chefe do Governo reiterou que essa revisão tem de ser feita «de forma a não pôr em perigo a sustentabilidade das empresas e, portanto, não gerar desemprego para futuro».

Segundo Pedro Passos Coelho, «as empresas devem apostar muito, sobretudo, na melhoria da sua produtividade, incorporando mais inovação, procurando casar mais rapidamente aquilo que são as inovações científicas e tecnológicas com aquilo que são os seus processos produtivos, de maneira a poder afirmar-se competitivamente, não através de custos salariais muito baixos, mas através de qualidade dos seus produtos, dos seus serviços».

«Em Portugal, no passado, houve claramente uma estratégia que, basicamente, começou nos anos 60, mas que se prolongou durante alguns governos em Portugal depois do 25 de abril que apontava claramente para que Portugal pudesse atrair investimento estrangeiro, sobretudo, atraído pelos baixos salários que o país praticava», continuou o primeiro-ministro.

Garantindo que esse não é o modelo que quer para o futuro, Pedro Passos Coelho apontou a necessidade de se «apostar muito em políticas de inovação, numa política de investigação científica que possa estar muito casada» com o tecido produtivo, indústria e empresas.