O primeiro-ministro disse esta segunda-feira que «não há nada escondido» em matéria de défice público e objetivos do país para 2015, lembrando a importância de Portugal cumprir as metas como forma de reduzir a dívida.

«É sabido que ainda precisamos de fazer descer o nosso défice público em 2015, nos termos que ficaram acordados com os nossos credores internacionais, para 2,5% do PIB. Não sabemos ainda com rigor, em termos de valor absoluto, o que é que isso vai significar. Mas haveremos de saber dentro de algum tempo, durante o mês de abril terá de ficar clarificado», declarou Pedro Passos Coelho, que falava perante deputados do PSD na abertura das jornadas parlamentares do partido que decorrem em Viseu até terça-feira.

O governante diz que já se sabe que «entre medidas do lado da despesa e medidas do lado da receita» terá de se encontrar uma combinação «que seja o melhor possível» para reduzir o défice para 2,5% em 2015.

«Não há nada escondido. Não pode haver nada mais público que isto. Os partidos que acham que há uma agenda escondida e que não se devem fazer mais cortes, querem mais défice para o ano? Têm de o dizer. Não podem é dizer que não é possível ter mais cortes e depois cumprir as metas do défice. Não bate a bota com a perdigota», sublinhou Pedro Passos Coelho.

O governante declarou ainda que cumprir a meta do défice é essencial para o trajeto de redução da dívida de Portugal.

«Se não conseguirmos ter um excedente primário externo e outro maior no próximo ano, a nossa dívida aumenta em vez de diminuir», advogou.

O PS, pelo secretário nacional Eurico Brilhante Dias, exigiu hoje ao Governo que não se esconda até depois das eleições europeias e fale com transparência sobre a aplicação de «um novo ciclo de austeridade».

«Não é altura de nos escondermos, é altura de parar com os cortes, de deixar de escavar o buraco da austeridade e de sermos claros. Se vão cortar, digam com transparência, não guardem para depois das eleições mais austeridade», afirmou Eurico Brilhante Dias.

No sábado, o semanário Expresso noticiou que os funcionários públicos poderão perder mais 5% do rendimento em 2015, com a entrada em vigor das novas tabelas salariais e de suplementos, embora o jornal sublinhe que se trata de uma hipótese e que não há ainda uma decisão fechada.

No mesmo dia, à noite, no seu espaço de comentário, na SIC, o ex-líder do PSD Marques Mendes disse que o Conselho de Ministros já começou a discutir o Documento de Estratégia Orçamental para 2015, no qual constam os cortes do próximo ano.

«Já há um número. Os cortes em 2015 vão oscilar entre os 1,5 e 1,7 mil milhões de euros», afirmou.