Governe quem governe, a austeridade vai continuar mesmo depois da saída da troika, porque os credores vão sempre andar por aí. É assim que Pedro Passos Coelho vê as coisas e disse-o, este sábado à noite, em Vilamoura, onde participou num fórum empresarial. O primeiro-ministro defendeu a coesão do sistema político-constitucional, considerando que se chegou ao «momento da verdade» para Portugal se afirmar na Europa com uma presença «firme e credível».

«Se estamos comprometidos com o projeto de sermos uma democracia europeia livre e aberta (...), se esse é o nosso desígnio coletivo, então temos de mobilizar os meios indispensáveis para lhe dar seguimento. Este é o nosso momento da verdade», disse Passos Coelho, no discurso de encerramento dos trabalhos do segundo dia do Fórum Empresarial do Algarve.

No encontro de centenas de líderes empresariais e políticos, que está a decorrer até domingo em Vilamoura, o chefe do Governo recordou as condições que Portugal tem de cumprir para «fechar o Programa de Assistência Económica e Financeira em junho de 2014».

É necessário «recuperar a nossa autonomia e trilhar um caminho sustentável de crescimento e de prosperidade para todos os portugueses», defendeu Passos Coelho, citado pela Lusa. O chefe do Governo sublinhou que não é coerente querer servir este propósito nacional «sem assegurar os meios para o alcançar».

O primeiro-ministro alertou ainda que os próximos anos serão exigentes, mesmo depois do programa de assistência da troika.

Passos Coelho afirmou que não poderá garantir toda a parte do «bilhete de ida dos elementos da troika para os seus países de origem», uma vez que «enquanto dois terços da dívida não forem pagos, os credores tem direito de cá vir ver se estamos cumprir».

O primeiro-ministro explicou que o País não goza propriamente de «uma independência financeira», em virtude de «um conjunto de transferências de soberania» realizadas no âmbito comunitário. «Dependemos muito mais um dos outros do que fomos ensinados», acrescentou.

Depois de Durão Barroso ter de manhã, no mesmo fórum empresarial, lançado um recado ao Tribunal Constitucional de que o ajustamento exigia um esforço de «todo Estado e não apenas do Governo», Passos Coelho voltou a fazer alusão ao assunto.

O chefe do Governo lembrou que as medidas necessárias ao ajustamento e à sustentabilidade do País não são «escolhas de um Governo, nem sequer de uma coligação de partidos, mas de escolhas verdadeiramente nacionais. Nacionais porque implicam e vinculam todo o sistema político-constitucional, que se revê precisamente na nossa presença na Europa».

Passos Coelho destacou ainda o acordo de comércio livre que os Estados Unidos e a União Europeia estão neste momento a negociar. O primeiro-ministro acredita que esse acordo com a Administração Obama «será um importante fator de revitalização, de crescimento e de criação de emprego para as economias europeias e americanas». Este futuro tratado, de acordo com Passos Coelho, irá potenciar as exportações portuguesas para os EUA, sendo mais um fator que contribuirá para a recuperação económica do País.