O presidente da Comissão Europeia considerou hoje que «é tempo agora de concentrar esforços na saída da crise», salientando que a União Europeia prepara com Portugal uma parceria com impactos no desenvolvimento e no emprego.

«Não estamos aqui para falar do programa de ajustamento, nem para a saída desse programa. O tempo agora é para concentrar esforços na saída da crise, e no crescimento sustentável e criação de emprego», disse Durão Barroso na abertura da conferência «Portugal: Rumo ao Crescimento e Emprego», que hoje decorre em Lisboa.

«Estamos em diálogo permanente preparando o acordo de parceria com o Governo português; o que estamos a preparar poderá representar uma parceria importante e ter um impacto significativo no desenvolvimento e na criação de emprego», sublinhou o chefe do Executivo comunitário, na intervenção que abriu a conferência.

Durão Barroso salientou a presença de oito comissários europeus hoje em Lisboa, que traduzem o «apoio que a União Europeia dará e sempre deu a Portugal», e disse que «a primeira prioridade é a criação de emprego, nomeadamente emprego jovem».

Bruxelas esteve sempre do lado de Portugal

O presidente da Comissão Europeia fez também uma forte defesa do papel da União Europeia na ajuda a Portugal durante a crise económica e financeira, garantindo que Bruxelas «esteve sempre, sempre com os países da coesão».

Na intervenção, Durão Barroso partilhou algumas reflexões sobre a situação económica de Portugal, elogiando o primeiro-ministro e salientando que a confiança em Portugal está a voltar aos mercados.

«O crescimento económico está de regresso. A Comissão Euroepeia prevê um crescimento em Portugal de 1,5 por cento e ultimamente, quer a Comissão quer outras instituições, como o FMI, têm vindo a modificar em alta muitas das previsões», salientou o presidente do executivo comunitário, acrescentando que «a dívida pública, embora alta, é sustentável desde que a dinâmica dos processos de reforma se mantenha; importa manter a confiança dos investidores na capacidade de Portugal se financiar».

Num discurso em que a tónica passou pela importância da União Europeia na ajuda financeira e política a Portugal durante o período de ajustamento, Durão Barroso explicou que «quando discutimos isto em Bruxelas, há países que se inclinam mais para a solidariedade e outros que gostam de insistir mais na responsabilidade, mas a UE só tem sucesso se ouvirmos as duas partes; precisamos de solidariedade e responsabilidade» quando se trata de lidar com as dificuldades financeiras dos Estados membros.

No discurso, Durão Barroso elencou um conjunto de projetos e programas da União Europeia, todos eles medidos em milhares de milhões de euros, «que Portugal tem de aproveitar porque não há margem para erro».

Aqui, aliás, Barroso foi claro ao enunciar que «25 mil milhões de euros de fundos a fundo perdido, como se diz em Portugal, é uma forma concreta de solidariedade», salientando também que, «de 2007 a 2013, Portugal recebeu 21,5 mil milhões de euros, ou seja, 68% do investimento público em Portugal».

Sem estas verbas, conclui o antigo primeiro-ministro, «muitos dos hospitais, estradas e escolas não teriam sido possíveis», e o panorama deve manter-se, uma vez que «o investimento europeu deverá, provavelmente, ser maior nos próximos sete anos, dados os constrangimentos orçamentais de Portugal».