Em 1975, o Estado Português começa a transformar-se no maior grupo empresarial da Europa e nacionaliza a banca privada. Tornou-se proprietário de mais de mil empresas. No fim do PREC, o Estado detinha cerca de 30 por cento do PIB nacional.

Dezenas de empresários e banqueiros foram presos por serem considerados inimigos da revolução. A 11 de março de 1975, o golpe de estado liderado pelo Marechal Spínola falha e aperta-se o cerco aos banqueiros e grandes empresários. Na sede do Banco Espírito Santo, sindicalistas invadem o banco ao início da tarde.

Nessa manhã teme-se o pior, o assessor da segurança de Vasco Gonçalves entra em ação. Antes ainda liga a Otelo Saraiva de Carvalho. O PM regressa a Lisboa são e salvo. O movimento da Forças Armadas desarma o golpe de estado.

Mas na rua do Comércio, a tensão aumenta.

O resto dos trabalhadores foram obrigados a sair das instalações. Sozinhos ficaram os administradores, cercados na sala do conselho. No livro de honra, os sindicalistas escrevem que aqui acaba o monopólio dos inimigos do povo.

Ao fim de 3 dias de cadeia, o administrador José Roquette é libertado, mas é sol de pouca dura.

Nos calabouços de Caxias, a família Espírito Santo espera pela libertação, enquanto nos corredores do poder, o Conselho da Revolução ignora o projeto de intervenção de Silva Lopes e avança para a nacionalização dos bancos privados.

03:00 da madrugada. José Roquette dormia. Com José Roquette, estavam o presidente do banco, Manuel Ricardo e outros administradores da banca. São transferidos para Monsanto, convivem facilmente com os presos de delito comum.

Mudam de juiz e finalmente sentem que tem hipóteses de sair da cadeia.

Paga uma caução de 500 contos e foge para Espanha, com o passaporte de um amigo, como tantos outros empresários abandona o país.

Em 1976, o estado tinha-se transformado no maior grupo empresarial da Europa. Detinha 30 por cento do PIB.

Também em 75, a Herdade do Esporão - da qual Roquette era dono - foi nacionalizada por decreto. Quatro anos depois voltou às mãos do empresário. Hoje produz o vinho europeu mais vendido no Brasil.