Caetano Espírito Santo Beirão da Veiga é o homem que aceitou liderar o que resta do grupo e em entrevista ao «Expresso», dá a cara. Diz que nunca sentirá «vergonha do nome Espírito Santo» mas também reconhece que a família deve pedir «desculpa».

A derrocada do império espírito santo abalou tudo e todos a meio de um verão ameno. O grupo ficou desfeito. Caetano Espírito Santo Beirão da Veiga, empresário que fez vida fora do grupo entra agora em cena, já na fase da ruína para tentar salvar, nem sabe bem o quê.

«Nem sei que império há para salvar», afirma em entrevista dada ao semanário «Expresso».

Não revela quando se apercebeu que a derrocada era imparável, mas admite que foi surpreendido, ele e tantos outros. Uns andariam mais distraídos do que outros. A queda do BES foi a gota de água, que deu em tsunami e arrastou negócios e família.

Ricardo Salgado não aceita culpas sozinho, diz que não é o pivô da crise e que todos os ramos da família estavam na administração. Todos cometeram erros.

À estratégia de defesa de Salgado, Caetano Espírito Santo Beirão da Veiga responde que «a liderança do grupo era fortemente personalizada. Salgado era o líder. Houve centralização a mais e escrutínio a menos, a responsabilidade pode ser de todos mas a culpa é mais de uns do que de outros».

Salgado já disse que vai lutar pela sua dignidade e da família. O homem agora escolhido para resgatar o que resta do grupo diz que «não sabe» se aquele que já foi um bom nome poderá alguma vez ser recuperado.

Mas dá a cara para dizer que «não sentirá nunca vergonha do nome». E afirma que a família Espírito Santo deve um pedido de desculpas, apesar de saber que o pedido não resolve nada.

A queda do grupo causou estragos financeiros a grandes e pequenos acionistas, a meio de um verão que corria ameno.