A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, afirmou que «não há números mágicos» para a sustentabilidade dos juros da dívida e que «não se podem valorizar afirmações sem saber exatamente qual é o contexto».

A governante, que foi hoje ouvida na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, respondia a perguntas colocadas por vários deputados da oposição, que invocaram as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros na Índia para acusar o Governo de estar a preparar um segundo resgate.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou, no domingo, que um segundo resgate «é evitável» desde que as taxas de juro a 10 anos igualem ou fiquem abaixo dos 4,5%. No entanto, na segunda-feira, em novas declarações, o ministro de Estado e de Negócios Estrangeiros disse que referiu apenas «indicativamente e como mera hipótese» um juro de 4,5% para evitar um segundo resgate e que esse limite será determinado pelo Governo.

Hoje, no parlamento, a ministra das Finanças disse que «não existe um número mágico de nenhuma taxa juro que distinga a sustentabilidade da insustentabilidade».

Para Maria Luís Albuquerque, avançar um número da taxa de juro teria de ser contextualizado: «É o quê? Mercado secundário, mercado primário, taxa marginal, taxa nominal, taxa média? Não se podem valorizar afirmações sem saber exatamente qual é o contexto», reiterou sem proferir, no entanto, o nome do ministro Rui Machete.

«Mais importante do que isso será o diferencial da taxa de juro face a outras economias europeias, será o diferencial de juro face a Espanha, à Itália ou à Alemanha (...) Não há números mágicos e eu não vou dizer nenhum número mágico em sentido nenhum», rematou a governante.