O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, lembrou hoje que eventuais interessados na compra da coleção Miró terão de demonstrar o seu interesse no leilão da mesma.

«Se houver empresários, sejam portugueses, angolanos, de qualquer outra nacionalidade, que tenham interesse, e oxalá haja, em adquirir, e adquirir para ficar em Portugal isso será uma bela notícia. O que terão de fazer é ir ao leilão e conseguir adquirir essas obras de arte», declarou Marques Guedes em conferência de imprensa a seguir à reunião de hoje do Conselho de Ministros.

O governante lembrou que existe um «contrato firmado» com uma leiloeira internacional, a Christie's e «é através do leilão que a venda vai ocorrer».

A Parvalorem recebeu várias propostas de compra da coleção Miró, de investidores de todo o mundo, nos últimos dois anos, mas optou pela venda em leilão, disse hoje à agência Lusa o presidente da empresa, Francisco Nogueira Leite.

De acordo com o presidente do conselho de administração da sociedade anónima de capitais públicos criada em 2010 pelo Estado para gerir os ativos e recuperar créditos do ex-Banco Português de Negócios (BPN), a opção do leilão internacional foi considerada «a mais favorável».

O Diário Económico noticia hoje que o empresário angolano Rui Costa Reis apresentou ao Governo uma proposta de compra da coleção por 44 milhões de euros e a manutenção das obras em Portugal com uma exposição, no Porto, durante 50 anos.

Sobre esta proposta, o presidente da Parvalorem disse desconhecer a sua «existência formal», mas comenta que, «a comprovar-se, se revela prejudicada pelo facto de haver um contrato válido, de boa-fé e livremente assinado com a leiloeira Christie's para a realização de um leilão em junho».

Há uma semana, a deputada socialista Gabriela Canavilhas, tinha afirmado no parlamento que o PS tinha conhecimento da existência de uma proposta de compra da coleção em «cima da mesa do primeiro-ministro».

«Não posso falar ainda sobre isto. Muito em breve vai haver informações sobre este assunto. Mas o que eu disse é factual», disse à Lusa no final do plenário.

A venda da coleção em leilão das 85 obras de Joan Miró esteve inicialmente marcada para o início de fevereiro, mas acabou por ser cancelada pela Christie's, que não considerou a venda legalmente segura, depois do Tribunal Administrativo de Lisboa ter apontado ilegalidades na saída das peças de Portugal.