O fundador do Banco Comercial Português (BCP), Jorge Jardim Gonçalves, considerou que a sua condenação no processo-crime, cuja sentença foi hoje conhecida, é um «momento penoso», mas realçou que confia que será absolvido após o recurso para tribunais superiores.

«A condenação de hoje é, seguramente, um momento penoso», lê-se numa mensagem enviada por Jardim Gonçalves a um círculo próximo de familiares, testemunhas e amigos, a que a agência Lusa teve acesso, na qual o responsável reagiu à decisão do tribunal de o condenar a uma pena de dois anos de prisão, que fica suspensa mediante o pagamento de 600 mil euros, pelo crime de manipulação de mercado.

«Todavia, o facto de o tribunal ter considerado que tanto eu, como os demais colaboradores em julgamento, nada tivemos a ver nem com a constituição de offshores, nem com as compras e vendas de ações por elas efetuadas, faz justiça à posição que sempre sustentámos e que, finalmente, teve acolhimento, de que não houve qualquer plano para, via offshores, sustentar o título BCP, muito menos de nossa iniciativa e responsabilidade, como pretendia a acusação e continuam a pretender o BdP e a CMVM», realçou.

E reforçou: «O tribunal concluiu que, pela desmarginalização dos créditos relativos às offshores Cayman, devíamos ter reconhecido perdas logo em 2002, e, por isso, e nada mais, nos condenou. Continuo a pensar que não tem razão e estou confiante de que o recurso da sentença permitirá que, em melhor reflexão, os tribunais superiores reconhecerão nada ter havido de irregular».

As equipas de defesa de Jardim Gonçalves, António Rodrigues e Filipe Pinhal admitem recorrer da decisão do coletivo de juízes que julgou o processo-crime no âmbito do caso BCP, sendo quase certo que vão solicitar a intervenção dos tribunais superiores.

Quer Magalhães e Silva, advogado de Jardim Gonçalves, quer Rogério Alves, que defende António Rodrigues, disseram aos jornalistas que devem recorrer da sentença hoje proferida nas Varas Criminais de Lisboa.

Uma decisão que também deverá ser tomada por Carlos Pinto Abreu, advogado de Filipe Pinhal. Todos os responsáveis deram conta da sua intenção de tomar uma decisão definitiva sobre o assunto só após uma atenta leitura do acórdão.

A informação foi prestada aos jornalistas no final da sessão de leitura do acórdão, que durou toda a manhã e ditou a condenação de Jardim Gonçalves, fundador do BCP, a uma pena de dois anos de prisão, que fica suspensa mediante o pagamento de 600 mil euros, pelo crime de manipulação de mercado.

O fundador do BCP, Jardim Gonçalves, foi hoje condenado em tribunal a uma pena de dois anos de prisão, que fica suspensa mediante o pagamento de 600 mil euros, pelo crime de manipulação de mercado.

Quanto aos restantes arguidos, todos ex-administradores do Banco Comercial Português (BCP), houve decisões diferentes: enquanto Filipe Pinhal e António Rodrigues também foram condenados a penas de prisão de dois anos e a indemnizações de 300 mil euros cada um, Christopher de Beck foi absolvido de todas as acusações.

Os quatro responsáveis foram absolvidos da prática do crime de falsificação de documentos.

A decisão do coletivo de três juízes que julgou o processo-crime no âmbito do chamado caso BCP foi tomada por maioria.

O tribunal condenou ainda os três arguidos considerados culpados a penas acessórias, que passam pelo impedimento de os responsáveis exercerem cargos de administração ou direção em empresas ou instituições financeiras durante quatro anos.