A EDP cortou, no ano passado, o abastecimento de eletricidade a 285 mil famílias que não pagaram a conta da luz, cerca de 5% do total de clientes da empresa.

O número de cortes por falta de pagamento manteve-se «estável» nos primeiros nove meses do ano passado, face ao mesmo período de 2012, representando cerca de 5% dos 5,7 milhões de contratos de abastecimento com a EDP, disse à Lusa fonte da elétrica.

«Os comercializadores do Grupo EDP (EDP Serviço Universal e EDP Comercial) têm acompanhado, ao longo dos últimos meses, com o cuidado que a situação merece, a situação dos clientes com dívidas em atraso sendo que, em termos globais, a situação se tem mantido relativamente estável», afirma a empresa.

O processo de corte por incumprimento de pagamento, ressalva a mesma fonte, é um procedimento «de último recurso», que ocorre apenas após um pré-aviso de várias semanas, e que, «na esmagadora maioria dos casos», é seguido de uma operação de religação.

A empresa não divulga o montante de pagamentos em dívida pelos clientes, informando apenas que, entre setembro de 2012 e o mesmo mês do ano passado, os clientes residenciais aumentaram em 15% a dívida corrente, enquanto os clientes empresariais registaram uma «redução significativa» dessas dívidas.

Pagamento faseado de dívidas de clientes à EDP aumentou 25%

O pagamento faseado de dívidas de clientes à EDP aumentou 25%, atingindo um total de 100 mil acordos no último ano, segundo a empresa.

«Atenta às circunstâncias atuais, a EDP tem procurado dar uma atenção permanente a todos e a cada um dos casos que se lhe colocam, tendo abertura para negociação das dívidas através da adoção de acordos de pagamentos faseados», afirmou fonte da EDP à Lusa.

Os dados mais recentes disponibilizados pela EDP, relativos aos primeiros nove meses de 2013 em comparação com o mesmo período de 2012, indicam que aqueles acordos aumentaram cerca de 25%, tendo sido firmados «cerca de 100 000 acordos no último ano», adianta a empresa.

O pagamento faseado de dívidas de contas de eletricidade cresceu mais do que a dívida corrente de clientes à EDP, que aumentou 15% no mesmo período.

Mas as negociações da EDP com devedores não impediram que o abastecimento de eletricidade, no mesmo período, tenha sido cortado a 285 mil famílias, cerca de 5% dos 5,7 milhões de clientes residenciais da empresa.

No entanto, o número de cortes por falta de pagamento manteve-se estável, uma vez que em anos anteriores já representava cerca de 5% dos contratos residenciais firmados com a EDP.

Menos 10 mil famílias com tarifa social

O número de clientes residenciais da EDP com direito à tarifa social, que oferece descontos aos mais carenciados, baixou em 10 mil no ano passado, totalizando 60 mil, segundo a empresa.

Em setembro de 2012, cerca de 70 mil clientes da EDP beneficiavam da tarifa social e, um ano depois, em setembro do ano passado, a empresa registava 60 mil.

A mudança de fornecedor de eletricidade ou o não preenchimento dos requisitos exigidos aos beneficiários da tarifa social podem estar na origem desta quebra.

A tarifa social resulta da aplicação de um desconto na tarifa de acesso às redes de eletricidade em baixa tensão, que compõe o preço final faturado ao cliente.

Só têm direito a esta tarifa os clientes de eletricidade que se encontrem numa situação de carência socioeconómica, comprovada pelo sistema de Segurança Social.

Outra exigência para a tarifa social é ser beneficiário de uma das cinco prestações sociais: complemento solidário para idosos; Rendimento Social de Inserção; subsídio social de desemprego; 1.º escalão do abono de família; pensão social de invalidez.

São os próprios comercializadores de eletricidade que, a pedido do cliente, verificam junto das instituições de segurança social a atribuição daquelas prestações sociais.