O secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, anteviu esta quinta-feira que em 2014 «no mínimo» Portugal terá de negociar um programa cautelar com a União Europeia e disse não acreditar que país consiga estar numa situação idêntica à da Irlanda.

Maria Luís não descarta que Portugal também prescinda de programa cautelar



«Mesmo que o FMI saia, vai cá ficar o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia», disse Arménio Carlos, em declarações aos jornalistas na sede do PSD, partido com quem esteve reunido durante três horas esta tarde.

Pois, continuou o secretário-geral da CGTP-IN, há uma norma no programa de estabilidade e crescimento que diz que os credores só sairão de uma posição de acompanhamento reforçado quando forem ressarcidos de 70 por cento da dívida.

«No mínimo vamos ter um programa cautelar», anteviu Arménio Carlos.

Questionado sobre a decisão da Irlanda, tornada hoje pública, de não recorrer a um programa cautelar após o programa de assistência financeira, o secretário-geral da CGTP-IN notou que os próprios dados estatísticos indicam que Portugal não estará numa situação idêntica, além de no próximo ano puder vir a pagar juros a dez anos na ordem dos seis por cento.

«O mesmo é dizer que é impossível pagar quando nós não crescemos economicamente, quando vamos continuar a ter um desemprego estrutural muitíssimo elevado e quando não vemos nas perspetivas deste orçamento nada que faça uma rutura com as políticas que estão a ser seguidas», acrescentou, considerando que se trata do «caminho para o desastre».

Sobre o encontro com responsáveis do PSD, Arménio Carlos revelou que a CGTP-IN apresentou a sua visão económica e social do país e insistiu na necessidade de mudar de políticas,

«O Orçamento do Estado, tem uma forte componente de austeridade e de sacrifícios e que vai levar à continuação da recessão económica em Portugal. Não vai contribuir em nada para criação de emprego e riqueza», frisou, reiterando algumas das propostas da CGTP-IN, como a atualização do salário mínimo nacional, a criação de um subsídio social para todos os desempregados e a aposta na produção nacional.