O segundo navio-patrulha construído pelos Estaleiros de Viana, que terá sido o último em 69 anos de atividade da atual unidade, deixou esta segunda-feira as docas da empresa e deverá assumir a primeira missão operacional em janeiro.

A informação foi confirmada à agência Lusa pelo comandante do NRP (Navio da República Portuguesa) Figueira da Foz, o mais recente Navio de Patrulha Oceânica (NPO) entregue à Marinha, que custou cerca de 50 milhões de euros.

«Estamos a concluir um plano de treino de segurança, de uma semana e dois dias de mar, para assegurar que o navio está em condições de segurança para navegar. Em janeiro concluiremos esse plano de treino operacional, habilitando-nos a cumprir com os níveis de prontidão da Marinha», disse à Lusa o capitão-tenente Ricardo Manuel Correia Guerreiro.

Acrescentou que «é expectável» a realização das primeiras missões oficiais, de patrulhamento, fiscalização ou socorro, já no início de 2014, perspetivando uma «alta taxa de emprego operacional» deste novo meio, face aos recursos atualmente ao dispor da Marinha.

O NRP Figueira da Foz é o segundo NPO da classe «Viana do Castelo» construído naqueles estaleiros desde 2011, de uma encomenda inicial de oito que foi assumida em 2004 pelo Ministério da Defesa - entretanto revogada pelo atual Governo - para substituir a frota de corvetas, com 40 anos de serviço.

A saída do novo navio das docas dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) aconteceu pelas 14:30 desta segunda-feira, levando a bordo os 39 elementos que compõem a guarnição e mais nove operacionais responsáveis pelas equipas de treino.

Os ENVC estão em processo de encerramento, com o despedimento dos 609 trabalhadores, decorrendo em paralelo a subconcessão de terrenos e infraestruturas ao grupo Martifer, após concurso público internacional. Várias dezenas de trabalhadores concentraram-se por isso nas docas para assistirem à partida daquele que terá sido o último navio construído por aqueles estaleiros públicos e que aconteceu sem qualquer tipo de cerimónia.

O navio foi formalmente entregue pelos ENVC à Marinha a 25 de novembro, passando então a integrar o efetivo daquele ramo das Forças Armadas, sendo esperado na Base Naval de Lisboa, no Alfeite, a 19 de dezembro.

«É uma emoção muito grande ser o comandante do mais recente navio da Marinha e sei que tenho comigo também uma grande guarnição, muito motivada», afirmou Ricardo Guerreiro, sublinhando igualmente o «grande esforço» dos trabalhadores dos estaleiros na construção deste navio.

«A automação e a redundância dos equipamentos que foram montados dão-nos uma grande confiança, não existem noutros navios. Essa é uma das características, assim como a sustentabilidade e a autonomia, já que o navio tem capacidade para 31 dias de missão no mar e até produz água», sublinhou o comandante do NRP Figueira da Foz.

«É um grande navio», apontou ainda.

Com desenho próprio dos ENVC, estes navios têm 83 metros de comprimento, capacidade para receber até 67 pessoas e podem transportar um helicóptero Lynx.

Concebidos como navios militares não combatentes, podem ser utilizados para fiscalização, proteção e controlo das atividades económicas, científicas e culturais ligadas ao mar.