O presidente da Câmara de Viana do Castelo anunciou este sábado que vai ser criado um museu dedicado aos estaleiros navais da cidade, que vão ser extintos, através de um acordo a estabelecer com o Ministério da Defesa Nacional.

A intenção de reunir o espólio da empresa e colocá-lo sob alçada do município tinha já sido divulgada pelo autarca, José Maria Costa, em junho de 2013, como forma de «preservar a memória da construção naval».

Desde 2012, aquando do lançamento da reprivatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) - que depois deu origem à subconcessão e fecho da empresa -, que a autarquia tem vindo a negociar com o Ministério da Defesa Nacional e com a Empordef a cedência deste espólio.

O autarca disse hoje que foi, entretanto, concluído o levantamento e identificação de «milhares de peças com valor histórico e patrimonial» do espólio da empresa, desde desenhos e maquetas dos primeiros navios, passando por cartas, fotografias e ferramentas ilustrativas da evolução da construção naval.

De acordo com José Maria Costa, uma parte desta coleção será exposta no antigo navio-hospital Gil Eannes - construído há mais de meio século pelos ENVC e entretanto transformado em museu ancorado em Viana do Castelo -, sendo a restante distribuída por outras áreas, como o museu municipal.

«O nosso objetivo é fazer um grande museu dedicado à construção naval, com as diversas tecnologias e instrumentos utilizados ao longo dos tempos. A Câmara Municipal deu garantias ao Estado português de que ira criar um espaço condigno para acolher este material, não só para visitação como também para estudo», explicou.

Contactada pela Lusa, fonte do Ministério da Defesa Nacional admitiu que a autarquia já tinha manifestado há muito tempo a intenção de ficar com o espólio cultural dos ENVC.

Ressalvou, contudo, que existem outras entidades «interessadas» neste espólio, nomeadamente o Museu da Marinha. «Tem havido contactos a este propósito e terá de se chegar a um entendimento entre todas as partes», explicou a mesma fonte.

O autarca socialista assegurou já ter uma minuta de protocolo «praticamente pronta», para oficializar a cedência deste material, prevendo a entrega ao Museu da Marinha do espólio relativo à construção de navios militares nos ENVC.

«É necessário concentrar o restante espólio em Viana do Castelo para que não se perca este valioso património, da história da construção naval e da arqueologia industrial», sublinhou.

Fundados a 04 de junho 1944, no âmbito do programa estatal de modernização da frota de pesca do largo, os ENVC começaram a laborar na forma de uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada, com o capital social de 750 contos. Em quase 70 anos a empresa construiu mais de 220 navios, de todos os tipos, entre militares, de transporte de passageiros e de mercadorias.

Os terrenos e infraestruturas dos ENVC foram este ano subconcessionadas ao grupo Martifer e a empresa pública será entretanto extinta.