O presidente do Conselho de Administração da SATA, Luís Parreirão, disse esta quinta-feira que a partir de meados de julho estarão resolvidos os problemas de falta de tripulação nos voos da companhia aérea para a América do Norte.

Estes problemas ao nível dos recursos humanos estarão resolvidos a 15 de julho, com «a entrada em linha» de todas as novas tripulações, assegurou, acrescentando que, no entanto, esta não é a única razão para as perturbações que se têm verificado em voos para a América do Norte, numa referência a avarias e problemas com os aviões.

O aumento «significativo» das ligações da SATA aos Estados Unidos da América e ao Canadá, este ano, exigiram a promoção de oito pilotos da empresa da frota dos A310 para os A320, processo que tem alguma «complexidade» e «morosidade».

Por outro lado, em simultâneo, e de forma «imprevista» e «imprevisível», a SATA Internacional (que faz as ligações a destinos fora do dos Açores) ficou sem nove pilotos por reformas por invalidez, licenças de paternidade, doença e mudança para outra empresa, acrescentou.

Luís Parreirão falava durante uma audição no parlamento dos Açores, a pedido do CDS-PP, por causa do conflito com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), que tem em curso a quinta greve na transportadora aérea.

O SINTAC recusa aceitar o acordo que a administração da empresa assinou no ano passado com os restantes sindicatos, reivindicando a compensação dos cortes salariais do orçamento do estado de 2013, como acontece na TAP.

O presidente do Conselho de Administração da SATA afirmou que a empresa não pode pôr em causa um acordo que assinou com 1.200 trabalhadores por causa de um sindicato.

A frota da SATA Internacional já «tem uns anos» referindo que a empresa privilegia sempre a segurança.

A este propósito, disse que a renovação da frota não é premente, mas revelou que a empresa já pediu estudos a entidades «credíveis» e «independentes» para planear a substituição dos atuais aviões.

Parreirão sublinhou que, no entanto, os voos com perturbações nos últimos meses representam menos de 2% do total, considerando «desproporcionado» concluir que há «uma degradação irreversível» do serviço prestado pela companhia.

A SATA Internacional teve prejuízos de 15,7 milhões de euros em 2013, mas Luís Parreirão considerou que a situação é reversível, a médio prazo, dizendo que apresentará um plano de negócios para três a cinco anos dentro de alguns meses.

Já o secretário regional dos Transportes do Governo dos Açores, Vítor Fraga, ouvido na mesma audição, disse aos jornalistas no final que não está em causa «a continuidade» da SATA Internacional, que disse ter «um papel fundamental» no desenvolvimento da região, dando como exemplo os proveitos de 46 milhões de euros do turismo no ano passado, originados pelos turistas que a empresa transportou para as ilhas.

Em relação ao futuro, lembrou que o executivo, que é o único acionista da empresa, deu indicações à administração para serem abandonadas todas as rotas deficitárias sem ligação ao arquipélago.

O PSD, na oposição nos Açores, considerou que a SATA avançou para algumas rotas «ruinosas» por decisão do executivo regional, considerando haver «ingerência» política na administração da empresa, em diversas matérias, o que Vítor Fraga negou, desafiando os sociais-democratas a «materializarem» as acusações.