Uma equipa operacional de altos quadros do Banco Santander Totta esteve esta segunda-feira a trabalhar com diretores de topo do Banif com o objetivo de começar a preparar desde já a sua integração no banco liderado por Vieira Monteiro.

Segundo revelou à agência Lusa fonte oficial do Santander Totta, poucas horas após o anúncio público da venda do Banif ao banco de capitais espanhóis no âmbito de um processo de resolução, a administração definiu duas prioridades: assegurar a normalidade nas operações e a tranquilidade nos balcões do Banif ao longo de segunda-feira e mostrar que a integração vai ser rápida.

"Queremos concretizar este processo no prazo mais curto possível", realçou a mesma fonte, sem avançar ainda com os prazos estimados para que tal aconteça, uma vez que a operação acabou de ser concretizada.

"Verifica-se uma total normalidade nas operações dos balcões e serviços que eram do Banif", sublinhou o responsável, acrescentando que "existe uma confiança generalizada que a solução encontrada é tranquilizadora para os clientes e os trabalhadores" do banco que foi adquirido.


E reforçou: "Face ao grande risco de haver uma liquidação [do Banif], a sua integração no maior grupo bancário da zona euro e um dos maiores do mundo dá tranquilidade e confiança".

Além disso, a robustez do grupo Santander vai permitir "potenciar" as operações do Banif, garantiu.

"Sentimos ao longo do dia um ambiente de grande confiança e alívio, mesmo nas regiões autónomas, onde o banco tem uma forte presença", vincou fonte oficial do Santander Totta.


Logo de manhã, a equipa de gestão do Santander Totta, com António Vieira Monteiro à cabeça, deslocou-se à sede do antigo Banif na Avenida José Malhoa, em Lisboa, onde se reuniu com a alta direção do banco.

E uma equipa operacional de quatro elementos do Santander Totta ficou lá a trabalhar ao longo do dia, em coordenação com altos quadros do Banif, tendo em vista a preparação da integração das duas estruturas.

"São pessoas de diferentes áreas, como a financeira, de análise de riscos, tecnológica, e com experiência noutros processos de fusão feitos pelo Santander Totta", especificou fonte oficial.


O objetivo é dar gás à integração do Banif no Santander Totta rapidamente, o que vai implicar necessariamente o desaparecimento da marca Banif.

Entretanto, Vieira Monteiro fez questão de ligar diretamente para os presidentes dos governos regionais dos Açores e da Madeira, garantindo-lhes que as operações do Banif naquelas regiões, onde marca grande presença, "vão ser continuadas e mesmo reforçadas", informou à Lusa a mesma fonte.

Do outro lado, Vieira Monteiro sentiu boa recetividade dos líderes dos executivos das duas regiões autónomas, acrescentou.

No domingo à noite, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram terem decidido a venda da atividade do Banif e da maior parte dos seus ativos e passivos ao Banco Santander Totta por 150 milhões de euros.

Assim, os clientes do Banif passam a ser clientes do Santander Totta e as agências do Banif passam a ser agências do banco que comprou a sua atividade.

A alienação foi tomada "no contexto de uma medida de resolução" pelas "imposições das instituições europeias e inviabilização da venda voluntária do Banif", segundo o comunicado libertado pelo Banco de Portugal.

O Banif (em processo de reestruturação desde 2012) era o sétimo maior grupo bancário português e era líder de mercado nos Açores e na Madeira.